Ministério São Bento

A formação do músico católico é fundamental e a pedra principal é sua obediência e concordância litúrgica.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Músicas para a Missa do 23° Domingo do Tempo Comum - Ano A

III semana do Saltério
Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles.
cor verde

Entrada: A Bíblia é a Palavra de Deus (cd Cantos de Entrada)


Ato Penitencial: Senhor, tende piedade de nós II (cd Ordinário da Missa - Partes fixas)


Glória: Hino de Louvor V (cd Ordinário da Missa - Partes fixas)


Salmo Responsorial: Salmo 94(95) (Canção Nova -online)


Aclamação ao Evangelho: Aclamação ao Evangelho -faixa 11 (cd Liturgia 07 Tempo comum ano A - 20º ao 34º DTC)


Ofertório: De mãos estendidas (cd Liturgia 06 Tempo comum ano A - 2º ao 19º DTC)


Santo: Santo (cd Festas Litúrgicas I)


Aclamação Memorial: Anunciamos Senhor (Aclamação Memorial 44° Concurso)


Amém: A Amém


Abraço da Paz: Só porque você veio (Louvores para Grupo de Oração -cd Celebrando Pentecostes)


Cordeiro de Deus: Cordeiro de Deus IV (cd Ordinário da Missa - Partes fixas)


Comunhão:
A Tua Palavra (Ricardo Sá -cd 5 Pedrinhas)

Vá e mostre o erro do seu irmão (cd Liturgia 07 Tempo comum ano A - 20º ao 34º DTC)


Final: Passarei o Meu Céu (Irmã Míria T. Kolling)


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

23º Domingo do Tempo Comum - Ano A

ANO A
23º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 23º Domingo do Tempo Comum

A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leitura fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projetos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correto para atingir esse objetivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.


LEITURA I – Ez 33,7-9

Leitura da Profecia de Ezequiel

Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’,
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida».

AMBIENTE

Ezequiel é conhecido como “o profeta da esperança”. Desterrado na Babilónia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquin, quando Nabucodonosor conquista Jerusalém pela primeira vez e deporta para a Babilônia a classe dirigente do país), Ezequiel exerce aí a sua missão profética entre os exilados judeus.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (data do seu chamamento) e 586 a.C. (data em que Jerusalém é arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma segunda leva de exilados é encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperanças e anuncia que, ao contrário do que pensam os exilados, o cativeiro está para durar… Eles não só não vão regressar a Jerusalém, mas os que ficaram em Jerusalém (e que continuam a multiplicar os pecados e as infidelidades) vão fazer companhia aos que já estão desterrados na Babilônia.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C. e prolonga-se até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estão desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador – esse Deus que Israel descobriu na sua história – não os abandonou nem esqueceu.
Pelo conteúdo, não é possível dizer de forma clara se o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura pertence à primeira ou à segunda fase da actividade profética de Ezequiel. Em qualquer caso, ele define – recorrendo à imagem da sentinela – a missão profética: o profeta é, entre os exilados, como uma sentinela atenta, que escuta os apelos de Deus e que avisa o Povo dos perigos que aparecem no horizonte da comunidade.

MENSAGEM

A imagem da sentinela aplicada ao profeta não é nova. Já Habacuc (cf. Hab 2,1), Isaías (cf. 21,6), Jeremias (cf. Jer 6,17) e mesmo Oseias (cf. Os 5,8) recorrem a esta figura para definir a missão profética.
O que é que significa dizer que o profeta é uma “sentinela”? A sentinela é o vigilante atento que, enquanto os outros descansam, perscruta o horizonte e procura detectar o perigo que ameaça a sua cidade, os seus concidadãos, os seus camaradas de armas. Quando pressente o perigo, tem a obrigação de dar o alarme. Dessa forma, a comunidade poderá preparar-se para enfrentar o desafio que o inimigo lhe vai colocar. Se a sentinela não vigiar ou se não der o alarme, será responsável pela catástrofe que atingiu o seu Povo.
Assim é o profeta. Ele é esse guarda que Jahwéh colocou no meio da comunidade do Povo de Deus, para perscrutar atentamente o horizonte da história e da vida do Povo e para dar o alarme sempre que a comunidade corre riscos.
Para que o profeta seja uma sentinela eficiente, ele tem de ser, simultaneamente, um homem de Deus e um homem atento ao mundo que o rodeia.
O profeta é, antes de mais, um homem que Jahwéh chamou ao seu serviço. Eleito por Jahwéh, chamado para o serviço de Jahwéh, ele vive em comunhão com Deus; e nessa intimidade que vai criando com Deus, ele descobre a vontade de Deus e aprende a discernir os projetos que Deus tem para os homens e para o mundo. Ao mesmo tempo, o profeta é um homem do seu tempo, mergulhado na realidade e nos desafios da sociedade em que está integrado; conhece o mundo e é capaz de ler, numa perspectiva crítica, os problemas, os dramas e as infidelidades dos seus contemporâneos.
Ao contemplar os planos de Deus e a vida do mundo, o profeta dá-se conta do desfasamento entre uma realidade e outra. Apercebe-se de que a realidade da vida dos homens é muito diferente dessa realidade que Deus projetou.
Diante disto, o que é que o profeta faz? Sacode a água do capote e diz que não é nada com ele? Fecha-se no seu mundo cômodo e ignora as infidelidades dos homens aos projetos de Deus? Demite-se das suas responsabilidades e não se incomoda com as escolhas erradas que os seus irmãos fazem?
Não. O profeta recebeu um mandato de Deus para alertar a comunidade para os perigos que a ameaçam. Custe o que custar, doa a quem doer, o profeta tem que dizer a todos – mesmo que os seus concidadãos não o compreendam ou recusem escutá-lo – que continuar a trilhar esses caminhos errados não pode senão conduzir à infelicidade, ao sofrimento, à morte.
O profeta/sentinela é, em última análise, um sinal vivo – mais um – do amor de Jahwéh pelo seu Povo. É Deus que o chama, que o envia em missão, que lhe dá a coragem de testemunhar, que o apoia nos momentos de crise, de desilusão e de solidão… O profeta/sentinela é a prova de que Deus, cada dia, continua a oferecer ao seu Povo caminhos de salvação e de vida. O profeta/sentinela demonstra, sem margem para dúvidas, que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.

ATUALIZAÇÃO

A reflexão pode partir das seguintes questões:
  • E hoje? Deus continua a amar o seu Povo? Continua a querer que ele se converta e viva? Continua a preocupar-Se em oferecer ao seu Povo a salvação – isto é, a possibilidade de ser feliz neste mundo e de alcançar, no final da sua caminhada nesta terra, a vida definitiva? O Deus de ontem não será o Deus de hoje e de amanhã?
  • Na verdade, Ele continua a chamar, todos os dias, profetas/sentinelas que alertem o mundo e os homens. Pelo Batismo, todos nós fomos constituídos profetas. Recebemos do nosso Deus a missão de dizer aos nossos irmãos que certos valores que o mundo cultiva e endeusa são responsáveis por muitos dos dramas que afligem os homens. Temos consciência de que recebemos de Deus uma missão profética e que essa missão nos compromete com a denúncia do que está errado no mundo e na vida dos homens?
  • O que é que devemos denunciar? Tudo aquilo que contradiz os projetos de Deus. Portanto, o profeta/sentinela tem de ser alguém que vive em comunhão com Deus, que medita a Palavra de Deus, que dialoga com Deus e que, nessa intimidade, vai percebendo o que Deus quer para os homens e para o mundo. Aliás, é dessa relação forte com Deus que o profeta/sentinela tira também a coragem para falar, para denunciar, para agir. Portanto, dificilmente seremos fiéis à nossa missão profética sem um relacionamento forte com Deus. Encontro tempo para potenciar a relação com Deus, para falar com Deus, para escutar e meditar a sua Palavra?
  • É preciso também que o profeta/sentinela desenvolva uma consciência crítica sobre o mundo que o rodeia. Ele tem de estar atento aos acontecimentos da vida nacional e internacional (o profeta tem de ouvir as notícias e ler o jornal!), tem de conhecer a fundo as questões que os homens debatem (senão, a sua intervenção dificilmente será levada a sério); e tem, especialmente, de aprender a ler os acontecimentos à luz de Deus e do projecto de Deus. Estou atento aos sinais dos tempos e procuro analisá-los a partir de uma perspectiva de fé?
  • É preciso, finalmente, que o profeta/sentinela não se acomode no seu cantinho cômodo, demitindo-se das suas responsabilidades. Tudo o que se passa no mundo, tudo o que afeta a vida de um homem ou de uma mulher, diz respeito ao profeta. Podemos ficar calados diante das escolhas erradas que o mundo faz? O nosso silêncio não nos tornará cúmplices daqueles que destroem o mundo e que condenam ao sofrimento e à miséria tantos homens e mulheres?


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 94 (95)

Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e demos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».


LEITURA II – Rom 13,8-10

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos:
Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros,
pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De fato, os mandamentos que dizem:
«Não cometerás adultério, não matarás,
não furtarás, não cobiçarás»,
e todos os outros mandamentos,
resumem-se nestas palavras:
«Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo.
A caridade é o pleno cumprimento da lei.

AMBIENTE

Continuamos a ler a segunda parte da Carta aos Romanos (cf. Rom 12,1-15,13). Aí, Paulo mostra – em termos práticos – como devem viver aqueles que Deus chama à salvação.
Deus oferece a todos a salvação; ao homem resta acolher o dom de Deus, aderindo a Jesus e à sua proposta… Mas a adesão a Jesus implica assumir, na prática do dia a dia, atitudes coerentes com essa vida nova que o cristão acolheu no dia do seu batismo. São essas atitudes que Paulo recomenda aos romanos (e aos crentes em geral) nesta segunda parte da carta.
No ano 49, o imperador Cláudio tinha publicado um édito que expulsava de Roma os judeus (incluindo os cristãos de origem judaica). Ora em 57/58 (quando a Carta aos Romanos foi escrita), muitos desses judeus tinham já voltado a Roma. Será que os cristãos de origem pagã, “donos” da comunidade durante bastante tempo, ostentavam a sua superioridade e manifestavam desprezo pelos cristãos de origem judaica entretanto regressados a Roma? Será que, por essa razão, havia divisões e falta de amor na comunidade de Roma? Nessas circunstâncias, Paulo teria escrito uma “carta de reconciliação”, destinada a unir uma comunidade dividida. O apelo ao amor que o nosso texto nos apresenta poderia entender-se neste contexto.

MENSAGEM

Paulo exorta os crentes de Roma a construir toda a sua vida sobre o amor. O cristianismo sem amor é uma mentira. Os cristãos não podem nunca deixar de amar os seus irmãos.
Essa exigência, contudo, nunca estará completamente realizada… Qualquer dívida pode ser liquidada de uma vez; mas o amor não: em cada instante é preciso amar e amar sempre mais. O cristão nunca poderá cruzar os braços e dizer que já ama o suficiente ou que já amou tudo: ele tem uma dívida eterna de amor para com os seus irmãos.
O amor está no centro de toda a nossa experiência religiosa. No mandamento do amor, resume-se toda a Lei e todos os preceitos. Os diversos mandamentos não passam, aliás, de especificações da exigência do amor. A ideia – aqui expressa – de que toda a Lei se resume no amor não é uma “invenção” de Paulo, mas é uma constante na tradição bíblica (cf. Mt 22,34-40).

ATUALIZAÇÃO

Na reflexão, ter em conta os seguintes desenvolvimentos:
  • Na última ceia, despedindo-se dos discípulos, Jesus resumiu desta forma a proposta que veio apresentar aos homens: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12). Este não é “mais um mandamento”, mas é “o mandamento” de Jesus. Entretanto, algures durante a nossa caminhada pela história, esquecemos “o mandamento” de Jesus e distraímo-nos com questões secundárias… Preocupamo-nos em discutir ritos litúrgicos, problemas de organização e de autoridade, códigos de leis, questões de disciplina… e esquecemos “o mandamento” do amor. Já é tempo de voltarmos ao essencial. O cristão é aquele que, como Cristo, ama sem cálculo, sem contrapartidas, sem limite, sem medida. Na nossa experiência cristã, só o amor é essencial; tudo o resto é secundário.
  • As nossas comunidades cristãs, a exemplo da primitiva comunidade cristã de Jerusalém, deviam ser comunidades fraternas onde se notam as marcas do amor. Os que estão de fora deviam olhar para nós e dizer: “eles são diferentes, são uma mais valia para o mundo, porque amam mais do que os outros”. É isso que acontece? Quem contempla as nossas comunidades, descobre as marcas do amor, ou as marcas da insensibilidade, do egoísmo, do confronto, do ciúme, da inveja? Os estrangeiros, os doentes, os necessitados, os débeis, os marginalizados são acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor?
  • É importante sentirmos que a nossa dívida de amor nunca está paga. Podemos, todos os dias, realizar gestos de partilha, de serviço, de acolhimento, de reconciliação, de perdão… mas é preciso, neste campo, ir sempre mais além. Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída.


ALELUIA – 2Cor 5,19

Aleluia. Aleluia.

Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo
e confiou-nos a palavra da reconciliação.


EVANGELHO – Mt 18,15-20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».

AMBIENTE

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus é conhecido como o “discurso eclesial”. Apresenta uma catequese de Jesus sobre a experiência de caminhada em comunidade. Aqui, Mateus ampliou de forma significativa algumas instruções apresentadas por Marcos sobre a vida comunitária (cf. Mc 9,33-37. 42-47) e compôs, com esses materiais, um dos cinco grandes discursos que o seu Evangelho nos apresenta. Os destinatários desta “instrução” são os discípulos e, através deles, a comunidade a que o Evangelho de Mateus se dirige.
A comunidade de Mateus é uma comunidade “normal” – isto é, é uma comunidade parecida com qualquer uma das que nós conhecemos. Nessa comunidade existem tensões entre os diversos grupos e problemas de convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares; há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os pobres e os débeis; há irmãos que magoam e ofendem outros membros da comunidade; há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros… Para responder a este quadro, Mateus elaborou uma exortação que convida à simplicidade e humildade, ao acolhimento dos pequenos, dos pobres e dos excluídos, ao perdão e ao amor. Ele desenha, assim, um “modelo” de comunidade para os cristãos de todos os tempos: a comunidade de Jesus tem de ser uma família de irmãos, que vive em harmonia, que dá atenção aos pequenos e aos débeis, que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor.

MENSAGEM

O fragmento do “discurso eclesial” que nos é hoje proposto refere-se, especialmente, ao modo de proceder para com o irmão que errou e que provocou conflitos no seio da comunidade. Como é que os irmãos da comunidade devem proceder, nessa situação? Devem condenar, sem mais, e marginalizar o infrator?
Não. Neste quadro, as decisões radicais e fundamentalistas raramente são cristãs. É preciso tratar o problema com bom senso, com maturidade, com equilíbrio, com tolerância e, acima de tudo, com amor. Mateus propõe um caminho em várias etapas…
Em primeiro lugar, Mateus propõe um encontro com esse irmão, em privado, e que se fale com ele cara a cara sobre o problema (vers. 15). O caminho correto não passa, decididamente, por dizer mal “por trás”, por publicitar a falta, por criticar publicamente (ainda que não se invente nada), e muito menos por espalhar boatos, por caluniar, por difamar. O caminho correto passa pelo confronto pessoal, leal, honesto, sereno, compreensivo e tolerante com o irmão em causa.
Se esse encontro não resultar, Mateus propõe uma segunda tentativa. Essa nova tentativa implica o recurso a outros irmãos (“toma contigo uma ou duas pessoas” – diz Mateus – vers. 16) que, com serenidade, sensibilidade e bom senso, sejam capazes de fazer o infrator perceber o sem sentido do seu comportamento.
Se também essa tentativa falhar, resta o recurso à comunidade. A comunidade será então chamada a confrontar o infractor, a recordar-lhe as exigências do caminho cristão e a pedir-lhe uma decisão (vers. 16a).
No caso de o infrator se obstinar no seu comportamento errado, a comunidade terá que reconhecer, com dor, a situação em que esse irmão se colocou a si próprio; e terá de aceitar que esse comportamento o colocou à margem da comunidade. Mateus acrescenta que, nesse caso, o faltoso será considerado como “um pagão ou um cobrador de impostos” (vers. 17b). Isto significa que os pagãos e os cobradores de impostos não têm lugar na comunidade de Mateus? Não. Ao usar este exemplo, o autor deste texto não pretende referir-se a indivíduos, mas a situações. Trata-se de imagens tipicamente judaicas para falar de pessoas que estão instaladas em situações de erro, que se obstinam no seu mau proceder e que recusam todas as oportunidades de integrar a comunidade da salvação.
A Igreja tem o direito de expulsar os pecadores? Mateus não sugere aqui, com certeza, que a Igreja possa excluir da comunhão qualquer irmão que errou. Na realidade, a Igreja é uma realidade divina e humana, onde coexistem a santidade e o pecado. O que Mateus aqui sugere é que a Igreja tem de tomar posição quando algum dos seus membros, de forma consciente e obstinada, recusa a proposta do Reino e realiza atos que estão frontalmente contra as propostas que Cristo veio trazer. Nesse caso, contudo, nem é a Igreja que exclui o prevaricador: ele é que, pelas suas opções, se coloca decididamente à margem da comunidade. A Igreja tem, no entanto, que constatar o fato e agir em consequência.
Depois desta instrução sobre a correção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus (cf. Mt 18,18-20) que, originalmente, seriam independentes da temática precedente, mas que Mateus encaixou neste contexto.
O primeiro (vers. 18) refere-se ao poder, conferido à comunidade, de “ligar” e “desligar”. Entre os judeus, a expressão designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus; aqui, significa que a comunidade (algum tempo antes – cf. Mt 16,19 – Jesus dissera estas mesmas palavras a Pedro; mas aí Pedro representava a totalidade da comunidade dos discípulos) tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que não estão dispostos a seguir o caminho que Jesus propôs.
O segundo (vers. 19) sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração. Assegura aos discípulos, reunidos em oração, que o Pai os escutará.
O terceiro (vers. 20) garante aos discípulos a presença de Jesus “no meio” da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de correção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.

ATUALIZAÇÃO

Na reflexão e partilha, considerar as seguintes questões:
  • A palavra “tolerância” é uma palavra profundamente cristã, que sugere o respeito pelo outro, pelas suas diferenças, até pelos seus erros e falhas. No entanto, o que significa “tolerância”? Significa que cada um pode fazer o mal ou o bem que quiser, sem que tal nos diga minimamente respeito? Implica recusarmo-nos a intervir quando alguém toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos outros? Quer dizer que devemos ficar indiferentes quando alguém assume comportamentos de risco, porque ele “é maior e vacinado” e nós não temos nada com isso? Quais são as fronteiras da “tolerância”? Diante de alguém que se obstina no erro, que destrói a sua vida e a dos outros, devemos ficar de braços cruzados? Até que ponto vai a nossa responsabilidade para com os irmãos que nos rodeiam? A “tolerância” não será, tantas vezes, uma desculpa que serve para disfarçar a indiferença, a demissão das responsabilidades, o comodismo?
  • O Evangelho deste domingo sugere a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Convida-nos a respeitar o nosso irmão, mas a não pactuar com as atitudes erradas que ele possa assumir. Amar alguém é não ficar indiferente quando ele está a fazer mal a si próprio; por isso, amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar… É preciso amar muito e respeitar muito o outro, para correr o risco de não concordar com ele, de lhe fazer observações que o vão magoar; no entanto, trata-se de uma exigência que resulta do mandamento do amor…
  • Que atitude tomar em relação a quem erra? Como proceder? Antes de mais, é preciso evitar publicitar os erros e as falhas dos outros. O denunciar publicamente o erro do irmão, pode significar destruir-lhe a credibilidade e o bom-nome, a paz e a tranquilidade, as relações familiares e a confiança dos amigos. Fazer com que alguém seja julgado na praça pública – seja ou não culpado – é condená-lo antecipadamente, é não dar-lhe a possibilidade de se defender e de se explicar, é restringir-lhe o direito de apelar à misericórdia e à capacidade de perdão dos outros irmãos. Humilhar o irmão publicamente é, sobretudo, uma grave falta contra o amor. É por isso que o Evangelho de hoje convida a ir ao encontro do irmão que falhou e a repreendê-lo a sós…
  • Sobretudo, é preciso que a nossa intervenção junto do nosso irmão não seja guiada pelo ódio, pela vingança, pelo ciúme, pela inveja, mas seja guiada pelo amor. A lógica de Deus não é a condenação do pecador, mas a sua conversão; e essa lógica devia estar sempre presente, quando nos confrontamos com os irmãos que falharam. O que é que nos leva, por vezes, a agir e a confrontar os nossos irmãos com os seus erros: o orgulho ferido, a vontade de humilhar aquele que nos magoou, a má vontade, ou o amor e a vontade de ver o irmão reencontrar a felicidade e a paz?
  • A Igreja tem o direito e o dever de pronunciar palavras de denúncia e de condenação, diante de atos que afetam gravemente o bem comum… No entanto, deve distinguir claramente entre a pessoa e os seus atos errados. As ações erradas devem ser condenadas; os que cometeram essas ações devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, a quem se acolhe e a quem se dá sempre outra oportunidade de acolher as propostas de Jesus e de integrar a comunidade do Reino.



ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 23º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. PRIVILEGIAR O TEMPO DO ACOLHIMENTO.
É o recomeço. A maior parte dos fiéis estão agora de regresso à paróquia. Será bom privilegiar o tempo do acolhimento, em particular dos novos paroquianos. Depois do sinal da cruz, da saudação e da introdução à celebração, o presidente pode convidar cada um a saudar os seus vizinhos de lugar. Pode igualmente pedir aos novos paroquianos para se apresentarem e acolhê-los em nome de toda a comunidade. Será igualmente bom privilegiar o gesto de paz. O presidente dá a paz a algumas pessoas que vêm ao altar. A paz é em seguida transmitida progressivamente por esse grupo e cada um dá a paz a outra pessoa, depois de a ter recebido simbolicamente. Saudar-se, dar a paz… tal deve continuar depois da celebração. Isso deve ser expresso nas palavras finais de envio. Se possível, pode-se organizar um pequeno convívio após a celebração.

3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Bendito sejas, Deus de santidade, que nos chamas a ser santos como Tu mesmo és santo. Nós Te louvamos pelos profetas que nos envias em todo o tempo como sentinelas, para vigiar o nosso caminho e para nos guiar.
Nós Te pedimos por todas as comunidades cristãs: que o teu Espírito nos purifique das más condutas que desvalorizam o nosso testemunho.

No final da segunda leitura:
Nós Te damos graças, Deus de amor, pela Lei viva que nos deste em Jesus e pelos teus apóstolos. Ela é comunicação do teu Espírito. Nós reconhecemos a imensa dívida de amor que temos para contigo.
Nós Te pedimos: mantém-nos receptivos ao teu Espírito de amor. Que ele nos torne conscientes da dívida de mútuo amor de uns para com os outros.

No final do Evangelho:
Deus justo e bom, se eu não interpelar o irmão ou a irmã que se perde, estou em dívida para contigo, porque me torno cúmplice do mal que não me esforço de impedir.
Que o teu Espírito seja para mim fonte de discernimento e de coragem!

4. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística II das Assembleias com Crianças, que evoca com insistência o amor ao próximo e a comunhão fraterna aos quais nos convidam a segunda leitura e o Evangelho de hoje.

5. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Ser sentinela… A religião cristã não é um simples assunto pessoal que só a nós diz respeito e que nos desinteressa dos outros. “Sentinela”: qual é o cuidado missionário que está em nós para transmitir a Palavra do Senhor aos nossos irmãos? O nosso amor para com eles é suficientemente forte para os convidar a uma mudança de conduta, se necessário? “Sentinelas”: o amor ao próximo é para nós uma dinâmica de conversão pessoal e comunitária?


UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – www.ecclesia.pt/dehonianos

Fonte: Dehonianos

Setembro, o mês da Bíblia

"Quão saborosas são para mim vossas palavras, mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118, 103).

“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho” (Sl 118, 105).

A Igreja no Brasil dedica o mês de setembro a Bíblia. Sem dúvida é uma iniciativa muito importante. A motivação vem do fato da  Igreja celebrar em 30 de setembro a memória do grande santo e doutor da Igreja, São Jerônimo, que a pedido do Papa Dâmaso (366-384) preparou uma boa tradução da Bíblia em latim, a partir do hebraico e do grego; a chamada Vulgata. Foi um trabalho gigantesco que demandou cerca de 35 anos nas grutas de Belém, onde ele fazia esse oficio, vivendo uma austera vida de oração e penitência. São Jerônimo dizia que quem não conhece os Evangelhos não conhece Jesus.

São Jerônimo (347-420), chamado de “Doutor Bíblico”,  nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379, foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa São Dâmaso. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja e à Sé de Pedro.

Conhecer a Palavra de Deus é fundamental para todo cristão. A Carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

Jesus conhecia profundamente a Bíblia e a citava.  Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto ele venceu o demônio lançando em seu rosto, por três vezes, a santa Palavra.  Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães, para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).

Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor; vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando Satanás tentou fazer com que Ele o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13).

O demônio não tem força diante da Palavra de Deus lançada em seu rosto; por isso, cada um de nós precisa conhecer o poder dela. Jesus morreu rezando todo o Salmo 21: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 21,2).

É preciso ler e estudar a Bíblia regularmente, todos os dias; aquecer a alma com um trecho dela; e saber usá-la nos momentos de dor, dúvida, angústia, medo, etc. Abra a Palavra, deixe Deus falar a seu coração. E fale com Deus; é a maneira mais fácil de rezar.

O Espírito Santo nos ensina essa verdade, pela boca do profeta Isaías; cuja boca tornou “semelhante a uma espada afiada” (Is 49,2):

“Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).

A palavra de Deus é transformadora, santificante. São Paulo explica isso a seu jovem discípulo Timóteo, com toda convicção:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2Tm 3,16).

Ela é, portanto um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fil 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa palavra. São Jerônimo, dizia que “quem não conhece o Evangelho não conhece Jesus Cristo”.

Jesus nos ensina que “a Escritura não pode ser desprezada” (Jo 10,34). São Paulo recomendava a Timóteo”: “aplica-te à leitura da Palavra” (1Tm 4,13). Ela não é palavra humana, mas “palavra de Deus.. que age eficazmente em vós” (1Ts 2,13).

Jesus é a própria Palavra de Deus, o Verbo de Deus que se fez carne (Jo 1,1s). No livro do Apocalipse São João viu o Filho do homem…” e de sua boca saia uma espada afiada, de dois gumes” (Ap 1,16). É o símbolo tradicional da irresistível penetração da palavra de Deus.

São Pedro diz que renascemos pela força dessa palavra.

“Pois haveis renascidos, não duma semente corruptível, mas pela Palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna”, (1 Pe 1,23) e, como disse o profeta Isaias: “a palavra do Senhor permanece eternamente” (Is 11,6-8).

Quando avisaram a Jesus que a Sua mãe e os seus irmãos queriam vê-lo, o Senhor disse: “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8,21). “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28).

Pela boca do profeta Amós, o Espírito Santo disse: “Eis que vem os dias… em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11). Graças a Deus esses dias chegaram !

Quando Jesus explicava as Escrituras para os discípulos de Emaús, eles sentiam “que se lhes abrasava os corações” (Lc 24,32). Todos os santos, sem exceção, mergulharam fundo as suas vidas nas santas Escrituras e deixaram-se guiar  pelos ensinamento da Igreja.

São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).

É preciso estudar a Bíblia, fazer um curso bíblico, porque ela não é sempre fácil de ser entendida. Ela não é um livro de ciência, mas, sim, de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, desde quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, econômicos, etc. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c).

É por isso, que Jesus confiou a interpretação dela a Igreja Católica, que a faz através do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa), e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou no passado e continua fazendo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16, 12-13). A Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isto: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).

A Bíblia interpretada erradamente pode levar a perdição; é o que diz São Pedro quando fala das Cartas de São Paulo: “É o que ele faz em todas as suas cartas… Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2 Pe 3,16).

E a Igreja não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé. Em Jerusalém, por exemplo, está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia, e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia para interpretar corretamente a Revelação de Deus.
Prof. Felipe Aquino

Fonte: Cléofas

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Como escolher Músicas para Missa com base no ensino 79 da CNBB e no Missal Romano - Canto Final

Canto Final
Canto final ou de despedida


Função:
Deve haver canto final?... Normalmente, não tem sentido. A reforma conciliar pôs o "Ide em paz" como última fórmula da celebração, e seria ilógico um canto neste momento, pois a assembléia está dispensada. O ideal seria o próprio "Ide em paz", ou fórmula que lhe corresponda, ser cantado pelo diácono ou cantor e respondido pelo canto da assembléia que se vai. Durante a saída do povo, o mais conveniente seria um acompanhamento de música instrumental. Se em alguma ocasião parecer oportuno um "canto final", por exemplo o hino do Padroeiro ou Padroeira na sua festa, ou hino em honra da Mãe do Senhor em alguma de suas comemorações, que ele seja cantado com a presença de todo o mundo, logo após a benção, antes do "Ide em paz".
A bênção final não é o fim, mas início da grande missão do cristão: ir anunciar o boa nova a toda gente. A despedida da assembléia ocorre a fim de que todos voltem às suas atividades louvando e bendizendo o Senhor com suas boas obras.
Portanto, é um momento de alegria, onde desde já se fica na ânsia de voltar à casa do Senhor para a “pausa restauradora” , que é o sacrifício dominical da Santa Missa.


Forma: 
  • Deve expressar a intenção do fim da Missa: o início de nossa missão no mundo, pois a Missa não se encerra com a bênção final, ela inicia o nosso dever de cristão: “Ide pelo mundo e anunciai o evangelho”.


Dicas: 
  • É um canto que acompanha o rito da saída do sacerdote do presbitério. Geralmente, no canto final, podemos cantar um canto de Nossa Senhora, quando for em tempo oportuno e em festas próprias.
  • Lembre-se o primeiro a sair é o presidente da celebração.

    Exemplos: 
    1. A escolhida (Monsenhor Jonas Abib -cd Vem louvar II)
    2. Aviva Tua Igreja (Fraternidade O Caminho -cd Vamos Batalhar (Músicas de combate, louvor e adoração)
    3. Busque o alto (Celina Borges -cd Chuva de Outono)
    4. Celebrai (Padre Zeca -cd Deus é Dez)
    5. Clamor pelas Nações (Comunhão e Adoração)
    6. Dá-me de beber (Antônio Cardoso -cd Aprendiz)
    7. Desde o nascer ao por do Sol (Monsenhor Jonas Abib -cd Vem Louvar I)
    8. Enviai (Eliana Ribeiro -cd Barco à vela)
    9. Esperar (Adrielle Lopes -cd Perseverar)
    10. Estrangeiro aqui (Comunidade Shalom -cd Estrangeiro aqui)
    11. Eu abraço a minha Cruz (Fátima Souza -cd Sem Ti Nada Posso)
    12. Faço novas todas as coisas (Missão Mensagem Brasil -cd Faço novas todas as coisas)
    13. Levanta-te (Louvores para Grupo de Oração -cd Levanta-te) 
    14. Luz das Nações (Anjos de Resgate -cd Luz das Nações)
    15. Luz do Mundo (Banda Em Nome do Pai -cd Pare pra Perceber) 
    16. Missão de Todos Nós (Zé Vicente -cd Nas Horas de Deus Amém)
    17. Mundo Novo (Eros Biondini -cd Mundo Novo) 
    18. Nossa missão (Adriana Arydes -cd Mais Feliz)
    19. Nova geração (Padre Zezinho -cd Canções para meu Deus)
    20. Permanecer no Amor (Banda DOM -cd Permanecer no Amor)
    21. Sagrado coração (Comunidade Canção Nova -cd Canção Nova Sertaneja - Mãos Calejadas -Vol 2)
    22. Sal na Massa (Monsenhor Jonas Abib -cd Só pra Você - Ao Vivo)
    23. Sede Perfeitos (Irmã Kelly Patrícia -cd Viver de Fé)
    24. Segura na mão de Deus (Canções para Orar -cd Canções para orar 1)
    25. Ser Filho de Deus (Comunidade Grão de Trigo -cd Meu Tesouro)
    26. Sou Filho de Deus (Padre Joãozinho -cd Sou feliz por ser Católico)
    27. Tentação (Betinho -cd Olhos Firmes)
    28. Transfiguração (cd Louvemos o Senhor Volume 9)
    29. Trindade Santa (Haguideni -cd Minha História)
    30. Tu és Pedro (Walmir Alencar -cd Misericórdia Infinita)
    31. Vale a Pena (Banda Bom Pastor -cd Basta Uma Palavra -Ao Vivo)
    32. Vem oh Santo Espírito (Palavra Viva -cd Eu sou de Deus)
    33. Vencedor (Eliana Ribeiro -cd Saudade de Ti)
    34. Vida Nova (Dunga -cd Pense Bem)
    35. Viver como Irmãos (Banda Nova Aliança -cd Viver como Irmãos)

    quarta-feira, 27 de agosto de 2014

    Músicas para a Missa do 22° Domingo do Tempo Comum - Ano A

    II semana do Saltério
    Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
    cor verde

    Entrada: Podes reinar (Agnus Dei -cd Agnus Dei 1993 - 1994)


    Ato Penitencial: Senhor, tende peidade de nós I (cd Ordinário da Missa - Partes fixas)


    Glória: Hino de Louvor IV (cd Ordinário da Missa - Partes fixas)


    Salmo Responsorial: Salmo 62(63) (Portal da Música Católica)


    Aclamação ao Evangelho: Aclamação ao Evangelho (O Senhor reconciliou o mundo) (cd Liturgia 07 Tempo comum ano A - 20º ao 34º DTC)


    Ofertório: Os grãos que formam a espiga (cd Canções para orar 1)


    Santo: Santo -faixa 23 (cd Nossa Senhora da Conceição Aparecida e Cantar a Liturgia)


    Aclamação Memorial: Aclamação após Consagração -faixa 29 (cd Nossa Senhora da Conceição Aparecida e Cantar a Liturgia)


    Amém: Amém (Comunidade Canção Nova -cd A festa maior)


    Abraço da Paz: Saudação da Paz (cd Ordinário da Missa - Regional Sul II - CNBB)


    Cordeiro de Deus: Cordeiro de Deus III (cd Ordinário da Missa - Partes fixas)


    Comunhão:
    Seduziste-me (Eliana Ribeiro -cd Encontramos o Cristo - Pe Roger Luis, Thiago Tomé e Eliana Ribeiro -Disco 1)

    Vem Eu mostrarei (Waldeci Farias) 


    Final: Nova geração (Padre Zezinho -cd Canções para meu Deus)


    terça-feira, 26 de agosto de 2014

    Áudios apagados!!!

    De novo não!

    Pela segunda vez o 4shared, site em hospedamos os áudios das músicas, deletou todos os links aqui do blog que possibilitava os áudios das músicas serem ouvidos. O que é uma pena, pois, eles eram colocados para que cada um tivesse a chance de conhecer as músicas sugeridas em cada post.
    Estaremos procurando uma nova maneira de colocar o áudio aqui no  blog, por isso conto com as orações e a paciência de vocês, uma vez que, todos os POSTS com áudio terão que ser refeitos, o que demandará um longo e árduo trabalho. 
    A grande questão aqui é: será que estamos pirateando a Música Católica ao colocar o áudio das músicas nos posts? Uma vez que a intenção é pura e simplesmente fazer com que mais irmãos consigam ouvir e conhecer as músicas sugeridas,.
    Deus proverá!

    segunda-feira, 25 de agosto de 2014

    O canto na Liturgia, 12 ponderações essenciais

    1) Música para pôr em evidência os “sinais dos tempos” (Lc 24,13-24)

       A ousadia dos cristãos começa pela sinceridade crítica ao encarar a realidade e pela franqueza ao emitir seu ponto de vista sobre ela. Esse olhar, feito de verdade e amor, resulta numa sabedoria semelhante à de Maria, tal como podemos encontrar em Lucas, e nos capacita tanto para anunciar quanto para denunciar. 
       Quando, então, a assembléia se reúne, especialmente no dia do Senhor, para celebrar a sua fé, traz para a celebração toda essa realidade de vida do povo, partilhada e meditada. E ao “fazer memória” dos acontecimentos que passaram, vai sentir necessidade de cantos, de música, quem sabe, de coreografia e dança, que ponham em evidência tudo quanto vai sendo sinalizado por esses acontecimentos. Música, canto e dança que nos alertem para os desafios da realidade presente, sem descuidar do aspecto orante e 
    contemplativo da celebração. 
       O bom senso, a presença de espírito, o discernimento e o bom gosto da Equipe de Animação Litúrgica se encarregarão de escolher ou criar o canto certo para o momento certo da celebração, em que se fará a “Recordação da Vida”, seja imediatamente antes da proclamação das leituras bíblicas, seja ao longo da homilia, à guisa de ilustração. 


    2) Música, canto e dança a serviço da Palavra (Lc 24,25-27) 

       A esperança cristã desponta como o sol do amanhecer, quando “os sinais dos tempos” são confrontados com a experiência da Palavra de Deus, vivida por nossos pais e mães na fé, que a deixaram registrada nas páginas da Bíblia. 
      É assim que a assembléia passa a dar-se conta com maior clareza e profundidade da “passagem” libertadora de Deus em sua vida. Ao descobrir o sentido maior dos acontecimentos e perceber aí a ação do Espírito do Ressuscitado, os discípulos de hoje vão recobrando a esperança e reavivando a chama da fé, da esperança e do amor. Seus corações vão de novo esquentando, à medida que a mente se ilumina. E a comunidade, apesar dos pesares, vai adquirindo um novo sentido, novo gosto e impulso. 
       A música, o canto, a dança têm aí papel de primordial importância: 
    • Seja na proclamação das leituras bíblicas, sobretudo do Evangelho, ponto culminante da Revelação; 
    • Seja como resposta à Palavra proclamada, ruminando-a, mastigando-a, interiorizando-a, como é o caso do Salmo Responsorial, após a primeira leitura, na celebração dos Sacramentos ou Celebrações da Palavra; ou dos Responsos, no canto do Ofício Divino; 
    • Seja como preparação à escuta da Palavra, como parece ser o caso dos Salmos e Cânticos Bíblicos na celebração do Ofício Divino; 
    • Seja como Aclamação, antes ou depois da proclamação do Evangelho. 


    3) Música para dar realce aos gestos sagrados (Lc 24,28.31.35)

       Ser cristão é, sobretudo, assumir em sua prática de vida o agir do próprio Cristo, deixar-se conduzir pelo dinamismo criador e renovador do seu Espírito, fazer-se instrumento da ação libertadora de Deus (2Cor 5,17; Fl 1,21; Gl 2,20; Rm 8,14; Mt 7,15-27; Jo 14,12; 15,1-6). 
       A celebração cristã da vida se justifica, se motiva e se consubstancia precisamente como expressão solene e testemunho vibrante da vida de uma comunidade, toda dedicada a fazer o bem e concretizar a vontade de Deus (Tt 2,14). 
       Por isso, não basta proclamar as Escrituras e recordar os fatos salvíficos de Deus, em Cristo, no passado. Nem enaltecê-los com a mais vibrante das homilias. Tudo isso seria, no melhor dos casos, uma bela aula de História. O que interessa, no momento da celebração, é perceber esse mesmo Deus agindo no hoje de nossas vidas. E a satisfação que brota de tal experiência é que nos estimula a encarar o futuro com esperança. 
       A Liturgia da Palavra já nos possibilitou ricos momentos de VER com realismo e sabedoria essa realidade de vida, de julgá-la à luz da Escritura, e já perceber esse AGIR de Deus em nós. 
    Mas vai ser no momento seguinte, no coração do Memorial, quando proclamarmos as obras maravilhosas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa (1Pd 2,9) e repetirmos os gestos simbólicos do agir divino: Façam isso em memória de mim (Lc 22,19), que celebraremos, em música, canto e dança, o AGIR de Deus, por Cristo, em nós, dando assim pleno sentido e concretude: 
    • ao canto que acompanha a procissão das oferendas para a Ceia do Senhor, expressão inicial da entrega de nossas próprias vidas, em Cristo; 
    • aos Prefácios e Louvações que precedem os gestos sacramentais, culminando no “Santo”, momento apoteótico na introdução da Oração Eucarística;
    • a toda a Oração Eucarística, com seus vários elementos de invocação do Espírito, narração da Ceia e retomada dos gestos de Cristo, rememoração do Mistério Pascal e as correspondentes aclamações; 
    • ao canto do “grande Amém” (Doxologia final), cantado por todos; 
    • ao canto do “Cordeiro”, ao repartir o Pão a ser distribuído; 
    • ao canto de Comunhão, sintonizado com a Liturgia da Palavra, e ao canto após a Comunhão. 

      Tudo o que foi dito é aplicado também para todos os sacramentos e bênçãos, bem como para as assembléias que se reúnem para as Celebrações da Palavra. 
       Todos eles têm esse caráter de realçar vigorosamente a ação de Deus, em Cristo, pelo Espírito que atua em nossas vidas, como um passado, que vem se atualizando em nosso agir presente, nesses últimos dias (Lc 24,18), e nos projeta para um futuro de plenitude. Sim, porque toda essa Ação de Graças, toda essa exultação pelo bem realizado, pelas concretizações do Reino, têm como desfecho o compromisso que se renova e aprofunda na perspectiva do crescimento, de um caminhar cada vez mais decidido para a Terra Prometida, até que ele venha (1Cor 11,26). 


    4) O canto e o rito

    Quando a música acompanha o rito

      Em toda essa prática de tocar, cantar e dançar, há cantos cuja importância se prende ao fato de acompanharem determinada ação ritual, dando-lhe maior brilho e força de significação, promovendo a participação animada e prazerosa da assembléia. 
       Essa funcionalidade da música exige especial atenção dos autores (letristas), compositores (músicos) e demais agentes litúrgico-musicais, para que tanto as composições como a sua utilização e o próprio jeito de executá-las se afinem ao rito que acompanham. 
       Além do mais, esses ritos podem revestir-se de significados ou conotações especiais por conta da hora do dia, do tempo litúrgico ou da festa em que vão ser executados. Tudo isso exigirá especial atenção e cuidado dos artistas e demais agentes, para que música, canto e dança expressem da melhor maneira os apelos da hora, do tempo ou da festa. 

    Quando a música é o rito 

       Há momentos na celebração em que tudo o que se tem para fazer é tocar, cantar e dançar. A música então é o próprio rito (por exemplo, o pedido de perdão no Ato Penitencial, o Sinal-da-Cruz, o Glória, a Profissão de Fé, o Prefácio, o Santo, as Aclamações, o Cordeiro, a Bênção final com a Despedida...). É claro que esses momentos vão necessitar de especial intuição e esmero dos artistas, mas também dos animadores do canto da assembléia e de quem preside. 
      Um belo arranjo instrumental, um canto brilhante e uma rica coreografia poderão provocar, nesses momentos, verdadeiras apoteoses, como no caso do Glória, da Aclamação ao Evangelho e das grandes Aclamações Eucarísticas; ou então profunda meditação e interiorização, como no caso do Salmo Responsorial ou de um canto após a Comunhão.
       Importantíssimo seria encontrar a melhor formulação em texto e melodia para peças de significação maior como o Prefácio ou Louvação, e partes da Oração Eucarística, como a invocação do Espírito, a rememoração do Mistério Pascal. 


    5) A reserva simbólica

       Nas suas manifestações folclóricas, para cada tempo, cada festa, cada tipo de evento, a repetir-se todo ano em determinada época, o povo reserva naturalmente determinado tipo de música. Ninguém ouve música de “quadrilha junina” no carnaval, nem frevo ou samba carnavalesco na noite de São João. Ninguém toca o Hino Nacional no dia das mães, nem canta “Minha Mãezinha Querida” num desfile militar de 7 de setembro. 
       Cada tempo, cada festa, cada evento, têm suas músicas características. Essas músicas carregam consigo poderosa eficácia simbólica. São elas que, por força desta mesma reserva, têm a virtude de criar o clima próprio de cada tempo, festa ou evento. O que não aconteceria, se fossem cantadas aleatoriamente em qualquer oportunidade. 
       Ora, essa “sabedoria do povo” (folclore) pode nos ajudar a todos, comunidades, artistas e agentes litúrgico-musicais, a resgatar uma maior coerência, que no passado havia, quando se cantava o Canto Gregoriano, ao se repetir cada ano, em cada tempo litúrgico, em cada dia ou festa especial, os cantos próprios daquele tempo, daquele domingo, daquela solenidade. 
       E quando uma música, um canto novo, por alguma razão se impõe, que não seja por mera mania consumista de novidade, que ele seja composto e executado em sintonia com essa tradição que o precede e inspira. Só assim conseguiremos fazer experiência musical e litúrgica que realmente cumpra seu papel simbólico. 


    6) Graus de importância do canto litúrgico na celebração eucarística

       Os cantos da celebração eucarística podem ser classificados, em grau de importância, em dois blocos: os que constituem um rito e os que acompanham um rito. 

    a) Principais cantos que constituem um rito: 
    • Nos Ritos Iniciais: Senhor, tende piedade de nós; Glória. 
    • Na Liturgia da Palavra: Salmo responsorial; Creio.
    • Na Liturgia Eucarística: Prece Eucarística (diálogo inicial, prefácio, santo, aclamação memorial, intervenções da assembléia, doxologia final); Pai-nosso.

    b) Principais cantos que acompanham um rito:
    • Nos Ritos Iniciais: Abertura; aspersão. 
    • Na Liturgia da Palavra: Aclamação ao evangelho; respostas da oração universal dos fiéis.
    • Na Liturgia Eucarística: canto das oferendas; canto da fração do pão (Cordeiro de Deus), canto da comunhão.

       Os cantos que constituem um rito são mais importantes do que aqueles que acompanham um rito. A grande vantagem daqueles é que seu texto não muda e podem ser cantados de cor, dispensando o “papel” (o folheto), que tanto dificulta a comunicação entre os participantes. E ainda: os textos dos cantos que constituem um rito, em hipótese alguma, podem ser substituídos ou parafraseados. 
       Examine-se, também, se as melodias respeitam os diversos gêneros de textos: proclamações, aclamações, hinos etc., pois cada gênero tem uma função específica que deve ser acentuada pela melodia escolhida para esse texto. 
       A escolha das partes cantadas, o equilíbrio entre elas e o estilo de arranjo musical que vai ser usado reflitam a importância relativa das diversas partes da celebração litúrgica. Assim, um canto para a “Apresentação das Oferendas” excessivamente elaborado, seguido por um “Santo” apenas falado, pode fazer com que a Oração Eucarística pareça menos importante do que a preparação da mesa. 
       Fica, porém, em aberto uma questão: estaria mais de acordo com o processo de inculturação, se os textos das partes fixas fossem substituídos por textos metrificados, com rima, pela razão de na cultura musical brasileira ser pouco comum o uso de textos em prosa? 
       Além de ser postura ecumênica, seria muito bom e enriquecedor explorar o repertório da boa música usada nas outras outras igrejas cristãs, em que excelentes músicas inculturadas estão sendo criadas, como bem conservar e usar a rica herança da Igreja de cantos e motetos latinos. 
       Para que os participantes da celebração possam sentir-se cômodos e seguros naquilo que estão fazendo e se possa garantir uma boa celebração, com canto vibrante, é necessário verificar, antes de tudo, se o repertório está ao alcance da comunidade. 


    7) As aclamações

       Em cada celebração eucarística, cinco aclamações, necessariamente, sejam cantadas, mesmo naquelas celebrações em que nenhuma outra parte for cantada: o “Aleluia”, o “Santo”, a Aclamação Memorial (logo após a narrativa da Instituição da Eucaristia), o grande “Amém” (após à doxologia final) e o “Vosso é o Reino...” (após o embolismo que se segue ao Pai-nosso). Na Celebração Dominical da Palavra, três destas 
    aclamações não podem faltar: o “Aleluia”, antes do Evangelho, o “Santo”, após o canto da “louvação”, e o “Vosso é o Reino”, após o Pai-Nosso. 


    8) Cantos do Ordinário


    9) Os cantos processionais


    10) O Salmo Responsorial


    11) Cantos suplementares

       Esta categoria inclui cantos para os quais não há textos específicos previstos. A rigor, são elementos facultativos da celebração, e nem precisam ser falados ou cantados. 
    • O canto de apresentação das oferendas 
    • Após a comunhão 
    • O canto de acolhida do Livro das Sagradas Escrituras 
    • O canto da paz; Embora seja usado em muitas comunidades do Brasil, o “canto da paz” não está prescrito em nenhum ritual da Igreja. Vale lembrar que o momento do abraço da paz é previsto para as pessoas se cumprimentarem. Portanto, caso se opte por algum canto, o mesmo seja executado pelo coral ou grupo de cantores e nunca substitua ou ofusque o canto que acompanha o rito da fração do pão: o “Cordeiro de Deus”. 
    • As intervenções da assembléia durante a Oração Eucarística 
    • Canto final ou de despedida; Deve haver canto final?... Normalmente, não tem sentido. A reforma conciliar pôs o “Ide em paz” como última fórmula da celebração, e seria ilógico um canto neste momento, pois a assembléia está dispensada. O ideal seria o próprio “Ide em paz”, ou fórmula que lhe corresponda, ser cantado pelo diácono ou cantor e respondido pelo canto da assembléia que se vai. Durante a saída do povo, o mais conveniente seria um acompanhamento de música instrumental. Se em alguma ocasião parecer oportuno um “canto final”, por exemplo o hino do Padroeiro ou Padroeira na sua festa, ou um hino em honra da Mãe do Senhor em alguma de suas comemorações, que ele seja cantado com a presença de todo o mundo, logo após a bênção, antes do “Ide em paz”.

    12) Silêncio

       Oportunamente, como parte da celebração, deve-se observar o silêncio sagrado. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite à oração, cada fiel se recolhe; após uma leitura ou homilia, meditam brevemente o que ouviram; após a comunhão, enfim, louvam e rezam a Deus no íntimo do coração.
       A celebração deve comportar uma revalorização do silêncio, dentro de uma liturgia que, no espaço de poucos anos, passou de um acontecimento silencioso a uma vivência por demais sonora, cheia de palavras e música; ainda mais que o povo, às vezes, vem para a celebração depois de ter sido fortemente “bombardeado” por um ambiente musical atordoante, ao longo do dia. Grande é a responsabilidade de encontrar um equilíbrio para esta questão.