Ministério São Bento

A formação do músico católico é fundamental e a pedra principal é sua obediência e concordância litúrgica.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Quando se pode fazer a confissão comunitária?

Exortai os fiéis a aproximar-se regularmente do sacramento da Penitência...

No dia 07 nov 06 o Papa falou da Confissão Comunitária e pediu aos sacerdotes para observar rigorosamente as normas da Igreja sobre o sacramento da Penitência, em particular as que afetam à absolvição coletiva.

Ao constatar «a crise do sacramento da Reconciliação» o Papa convidou os Bispos da Suíça, em visita “ad limina apostolorum” «a relançar uma pastoral penitencial que estimule a confissão individual».

O Papa disse «Pedi a vossos sacerdotes que sejam confessores assíduos, oferecendo generosamente aos fiéis horários apropriados para a Confissão pessoal; estimulai-os para que eles mesmos se aproximem com freqüência deste sacramento».

«Exortai os fiéis a aproximar-se regularmente do sacramento da Penitência, que permite descobrir o dom da misericórdia de Deus e que leva a ser misericordioso com os outros, como Ele.»

A Confissão «ajuda a formar a consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixar-se curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito».

O Papa convidou os sacerdotes «a observar rigorosamente as normas da Igreja sobre a absolvição coletiva», «que exigem situações verdadeiramente excepcionais para recorrer a esta forma extraordinária do sacramento da Penitência».

Estas normas, recordou, são apresentadas pelo «Motu proprio» «Misericordia Dei», publicado por João Paulo II em 7 de abril de 2002.

Segundo este documento, a «absolvição geral» ou «coletiva» tem um caráter de excepcionalidade» e não pode enviar-se com caráter geral, a não ser que se dêem duas condições. O Catecismo da Igreja explica quando se pode realizar a Confissão comunitária:

§1483 – “Em casos de necessidade grave, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação com confissão e absolvição gerais. Esta necessidade grave pode apresentar-se quando há um perigo iminente de morte sem que o os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode também apresentar-se quando, tendo-se em vista o número dos penitentes, não havendo confessores suficientes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes; sem culpa de sua parte, se veriam privados durante muito tempo da graça sacramental ou da sagrada Eucaristia. Nesse caso, os fiéis devem ter, para a validade da absolvição, o propósito de confessar individualmente seus pecados no devido tempo (CDC, cân. 962,1). Cabe ao Bispo diocesano julgar se os requisitos para a absolvição geral existem (CDC, cân. 961). Um grande concurso de fiéis por ocasião das grandes festas ou de peregrinação não constitui caso de tal necessidade grave (CDC, cân. 961,1)”.

É importante notar que a Igreja obriga a pessoa que realizou uma Confissão comunitária, se confessar com o sacerdote tão logo seja possível. Assim, a Confissão comunitária, embora válida, não substituiu a Confissão auricular.

Note também que o documento declara que «não se considera suficiente necessidade quando não se pode dispor de confessores por causa só de uma grande concorrência de penitentes, como pode suceder em uma grande festa ou peregrinação».

A primeira coisa que Jesus fez após a Ressurreição, no mesmo domingo, foi instituir o Sacramento da Confissão: “Dizendo isto soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados, os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,22-23).

O Catecismo da Igreja ensina que “O perdão dos pecados cometidos após o Batismo é concedido por um Sacramento próprio chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação”(§1486). E que “Aquele que quiser obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não confessou e que se lembra depois de examinar cuidadosamente sua consciência” (§1493).

No mínimo uma vez ao ano todo católico deve se confessar; é um dos mandamentos da Igreja: “Todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano” (CDC, cân. 989). Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental (Conc. Trento, DS 1647,1661), a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor (CDC, cân. 916; CCEO, cân.711). As crianças devem confessar-se antes de receber a Primeira Eucaristia” (CDC, cân. 914). (§1457).

O Catecismo da Igreja chama o Sacramento da Confissão de “Sacramento de cura”. Certa vez o Papa João Paulo II disse que os consultórios de psiquiatras estão cheios porque os Confessionários estão vazios.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

História da Liturgia

1 O que compreendemos por liturgia?

Liturgia é serviço do povo, realizado em benefício deste. Numa análise filológica, vem da raiz grega Laos= povo e Ergon= ação. É ação, trabalho, serviço. Ação esta que antes do Vaticano II, o povo apenas assistia como meros espectadores sem compreender o que era feito. A partir do Vaticano II, o conceito de liturgia voltou ao seu sentido primeiro: ação do povo. Hoje se fala em participação, celebração, porque todo povo batizado faz parte do sacerdócio real de Cristo, chamados à transformação e santificação da vida e da história. 
Esta ação não é feita sozinha. É feita em parceria com o próprio Deus, e através da fé percebemos a sua presença amorosa e sua ação permanente a serviço da vida. A ação de Deus se dá através de Cristo, seu Filho amado que se fez irmão e servidor com sua encarnação, vida, paixão, morte e ressurreição. Nesse sentido, afirmamos que Cristo é o liturgo por excelência.
Em linhas gerais, a liturgia é a ação de Deus realizada em Jesus Cristo, e através do seu espírito, em nós a favor de toda humanidade.
É também o memorial do mistério pascal de Cristo celebrado na Igreja. A cada rito[1] celebrado fazemos memória[2] do ressuscitado na vida de cada pessoa e da comunidade.

2 A história da liturgia desde os primeiros séculos até o séc. X.  

2.1 O mistério celebrado no primeiro milênio da nossa era
É importante termos presente que para compreendermos LITURGIA devemos, antes de tudo, fazer uma análise do que aconteceu nos primeiros séculos da Igreja, isto é, como a LITURGIA era celebrada pelos primeiros cristãos, para que ao chegarmos na nossa era, compreendamos, à luz do Vaticano II, o significado deste mistério[3] celebrado, que por sua vez significa experimentar a presença de Deus na nossa vida.  É a ação de Deus na qual Ele entra em comunhão com o mundo e com os homens. De um lado Deus se revela e se comunica ao homem, e de outro, o homem entra em comunhão com Deus. Deus é mistério em si mesmo porque é comunhão de vida, de amor e felicidade em si mesmo. Para a Sagrada Escritura, os Padres da Igreja e a Liturgia, mistério é o plano de Deus de fazer o ser humano participante de sua vida, de salvar a humanidade. Além disso, é visto sob o aspecto divino da salvação. Neste caso, o mistério de Deus é revelado em seu Filho Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, isto é, que se fez humano para a nossa salvação. Ao se revelar em Jesus Cristo, Ele comunicou a sua vida eterna mais íntima ao ser humano. Para compreendermos o mistério é necessário termos fé, pois este brota da nossa espiritualidade. Depois deste ensaio, vamos estudar a liturgia nas suas origens.
2.2 A liturgia nos primórdios do cristianismo
             Na era apostólica, mais conhecida como tempo dos apóstolos, Jesus e seus seguidores praticavam a religião judaica. Participavam das celebrações litúrgicas (templo, sinagoga, oração e festas). Jesus era um homem muito piedoso, assim como seus seguidores (apóstolos) e participavam assiduamente da religião de seu povo.
            Jesus e os apóstolos não vieram romper com a liturgia antiga, pelo contrário, vieram dar pleno cumprimento (Mt 5,17), aperfeiçoá-la. Assim sendo, deu uma nova orientação aos ritos judaicos já existentes. Portanto, a nossa liturgia cristã é uma continuidade da liturgia hebraica. O nosso referencial é Jesus de Nazaré. A partir do mistério de Cristo, aconteceu uma cristianização dos elementos ritualizados herdados, surgindo daí a liturgia cristã. Os elementos rituais são:
ELEMENTOS JUDAICOS X ELEMENTOS CRISTÃOS
                             Judaísmo                                     Cristianismo
ÚLTIMA CEIA
A ceia pascal judaica é uma rememoração da libertação do povo hebreu da escravidão para a terra prometida.
Fazemos memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. A sua passagem deste mundo para o Pai.
LITURGIA DA PALAVRA

A liturgia judaica é celebrada aos sábados na sinagoga e é feita a leitura da Torá ( Os 5 primeiros livros da Bíblia).
Leituras bíblicas, cantos dos salmos, homilias. Na liturgia cristã celebra-se todos os dias, de modo particular no domingo, dia consagrado ao Senhor.
ORAÇÃO DOS FIÉIS
Dezoito bênçãos com a qual se iniciava a liturgia sinagogal
Os pedidos das orações dos fiéis na missa após a profissão de fé.
A SEMANA
Sábado (sabático) considerado o dia de descanso e também reservado para a reunião litúrgica na sinagoga
Os cristãos deslocaram para o domingo, em memória da Ressurreição
ORAÇÃO COTIDIANA
Oração da manhã e da tarde (laudes e vésperas) e o ternário das horas (terça, sexta, noa)
IDEM
COSTUME DE INICIAR AS ORAÇÕES
Iniciar as orações litúrgicas com a fórmula invitatória: Corações ao alto, Oremos e Demos graças.
IDEM
DOXOLOGIA
Breve louvor a Deus no final das orações: Glória ao Pai; Santo, santo, santo
IDEM
ACLAMAÇÕES LITÚRGICAS
Amém, Aleluia, Hosana, Pelos séculos dos séculos.
IDEM

            São elementos rituais riquíssimos que demonstram como a nossa liturgia está enraizada na cultura do Antigo Testamento. Em contrapartida, há aspectos de rupturas entre a liturgia cristã e a liturgia judaica. Em alguns aspectos, Jesus mantém uma crítica em relação à ordem cultual da religião judaica. Jesus quer resgatar o fundamento do culto, a saber, o amor que se desdobra na prática da justiça, da misericórdia, do perdão (cf. Mt 9,13). Também os discípulos de Jesus, após a ascensão, continuavam participando do templo, porém, não participavam dos sacrifícios rituais. Como judeus cristianizados, eram convictos de que a morte-ressurreição de Jesus havia superado o sacrifício da lei antiga. O templo passou a ser o verdadeiro Templo que agora é Cristo. A partir de então, a Igreja apostólica começou a organizar-se criando formas próprias de culto. Uma das características desse novo grupo era a reunião (aspecto comunitário): É a liturgia dos primeiros cristãos (cf. Mt 18,20, At 4,31; 20,7-8).
            Em At 2, 46 narra-se o momento da refeição, onde partiam o pão e comiam com simplicidade e alegria. Junto da reunião tinha o momento da oração da benção (oração eucarística: ação de graças) e o ensinamento dos apóstolos.
            Outro aspecto interessante é que costumavam realizar as reuniões no primeiro dia da semana. A este dia, deram o nome de “dia do Senhor” (domingo), por ser o dia em que se recorda a ressurreição do Senhor. Mais tarde surgiu a festa anual da Páscoa, quando Paulo dizia: “Cristo nossa Páscoa foi imolado” (1 Cor 5,7). A imolação do Cristo substituiu a do cordeiro da Páscoa anual hebraico.  Mais tarde surge também o batismo que já havia sido prefigurado por João Batista (batismo no Espírito no nome de Jesus).
            Embora não tendo uma regulamentação estável da liturgia, a comunidade apostólica já dispunha de algumas formas litúrgicas próprias: oração, batismo e eucaristia.
2.3 A era dos mártires
            Neste período, séc. II e III, os cristãos procuravam manter-se no âmbito da tradição judaica. Também foi institucionalizada a prática apostólica de fazer reuniões para a fração do pão em casas particulares. Eram casas de famílias nobres que cediam o espaço para as reuniões das comunidades cristãs.
            Os cristãos, herdeiros do monoteísmo judaico (único Deus), eram contrários aos rituais pagãos. Por causa disso sofriam perseguições violentas pelo fato de exaltarem a superioridade do cristianismo frente ao paganismo[4]. Eram acusados de ateus e sem religião por não terem templo, altar, nem sacrifícios e nem sacerdotes. O templo para a comunidade cristã era o próprio Cristo e nele, a comunidade cristã forma um só corpo.
            Já podemos falar de uma liturgia inculturada, porque o mundo cristão estava em contato com o mundo pagão, chamados helênicos. A liturgia vai se adaptando aos povos do mundo mediterrâneo com sua cultura própria. O mistério de Cristo passa a ser celebrado com elementos da cultura local. Um exemplo é o testemunho de Justino, filósofo convertido ao cristianismo. No ano 150, ele escreve uma apologia em favor dos cristãos, defendendo como era celebrada a missa na comunidade cristã em meados do séc. II. No relato ela apresenta as seguintes partes da missa: Reunião no dia do sol (domingo), escuta da Palavra, homilia, oração dos fiéis, preparação das oferendas, oração eucarística, comunhão e socorro aos necessitados.
            Hipólito de Roma (ano 215) também nos apresenta um importante documento dizendo como era organizada e celebrada a missa nessa época. Refere-se ao batismo, havia um itinerário de iniciação cristã, a eucaristia, uma oração eucarística e as ordenações (bispos, presbíteros e diáconos com uma oração de consagração para cada um desses graus. As bênçãos e as orações. Não havia livros litúrgicos e o presidente improvisava as orações.
2.4 A liturgia em fase de estruturação plena (séc. IV a VIII)
            Nesse período, a liturgia chega ao seu apogeu, ou seja, atinge sua fase de estruturação.
            No ano de 313, o imperador Constantino concede liberdade total para a Igreja. Fim das perseguições! Em todo o império, o número de cristãos se multiplica pelo fato de ser uma honra, o que equivale a ser um cidadão do império. A liturgia passa por profunda transformação em sua forma e compreensão. Por estar em contato direto com a cultura romana, as celebrações passam a assumir um caráter imponente e suntuoso. A celebração da eucaristia passa a ser presidida pelo bispo e os cristãos passam a se reunir em locais amplos, nas basílicas construídas pelo imperador.
            A liturgia passa a receber também na cultura romana, elementos da própria cultura. Dentro de um contexto político, social e eclesial, os paramentos adotados são semelhantes ao da corte imperial. As liturgias se transformam em suntuosas cerimônias pontificais. Os ministros ordenados são revestidos de uma dignidade de honras igual aos mais altos dignitários do império. Tudo isso é representado pelo mistério de Cristo, que visto como esplendor passa a ser expresso exteriormente na forma esplendida dos cerimoniais da corte.
            A Bíblia continua sendo a principal fonte de inspiração na composição dos textos litúrgicos e na explicação dos mistérios cristãos. Elementos pagãos foram introduzidos na religião cristã, como por exemplo, a prática de construir igrejas voltadas para o oriente, o nascer do sol; a festa do natal que entrou no lugar da festa do nascimento do deus sol da religião pagã. 
2.5 A formação das grandes famílias litúrgicas    
            Existem várias formas de celebrar o rito litúrgico devido à inculturação da liturgia cristã nas diversas culturas. Eis os dados cronológicos dessa evolução:
*        Séculos I e II: Unidade litúrgica. Na formação das comunidades cristãs precisava-se garantir o essencial da tradição recebida.
*        Séculos III e IV: Começa uma multiplicidade de formas celebrativas. Cada comunidade vai fixando seus ritos, costumes e orações.
*        Século V: Com a liberdade religiosa concedida por Constantino, é o momento da criação das diversas famílias litúrgicas ou ritos litúrgicos no oriente e no ocidente.
Entendemos que o mistério de Cristo é um só, mas as formas de celebrações são diferentes. Durante a história foram organizados diferentes ritos que constituem as famílias litúrgicas originadas dos antigos e influentes patriarcados: Antioquia[5], Alexandria e Roma. A ação missionária permitiu a esses grupos se expandissem para outras terras, formando assim novos ramos litúrgicos, porém não perdendo a essência que é o mistério de Cristo. [6]
Para ilustrar melhor, apresentamos a seguinte distinção: existem as liturgias orientais e ocidentais.
As liturgias orientais (do oriente) se distinguem em dois grupos, por causa dos seus patriarcados de origem (Antioquia e Alexandria): o grupo antioqueno e o grupo alexandrino. O grupo antioqueno se subdivide em siríaco ocidental (que compreende o siríaco de Antioquia, o maronita, o bizantino e o armeno) e siríaco oriental (que compreende o rito nestoriano, o caldeu, na Mesopotâmia, e o malabar, na Índia). O grupo alexandrino abrange o rito copta e o etiópico.
As liturgias ocidentais (do ocidente) são: a romana (da diocese de Roma), a ambrosiana (própria da diocese de Milão), a hispânica (peculiar da Espanha), a galicana (das Gálias) e a celta (elaborada entre os povos celtas, no ambiente geográfico que compreende a Irlanda, a Escócia e País de Gales). Atualmente, na prática, conserva-se apenas um rito ocidental: o romano. Dos outros, restaram apenas vestígios, ou estão limitados a lugares bem determinados (como é o caso dos ritos ambrosiano e hispânico)[7].

2.6  A formação da liturgia romana clássica
            Entre os séc. IV ao VIII foi o tempo em que a Igreja romana foi organizando sua liturgia de forma esplêndida e rica do ponto de vista teológico. Posteriormente, esta liturgia sofrerá influência dos povos francos-germânicos, sofrendo numerosas modificações: ela deixa de ser liturgia romana pura.
            Após 313, como já vimos, a liturgia sai das catacumbas e passa a ser celebrada nas basílicas. A partir daí, surge a necessidade de organizar as celebrações litúrgicas de forma mais fixa e rígida. Assim, os bispos de Roma começam a compilar inúmeras orações, introduzem novos ritos. Surge neste período, o primeiro livro litúrgico chamado sacramentário. É um livro que contém as orações presidenciais tanto para as celebrações eucarísticas como dos demais sacramentos.  Também para proclamar a palavra de Deus na liturgia, fez-se uma seleção de textos bíblicos de forma ordenada segundo o correr do ano litúrgico. Nasce assim o Lecionário que era dividido em dois livros: Evangeliário (para uso dos diáconos) e Epistolário (para uso dos leitores).
            Devida a amplidão das basílicas, foram introduzidas três grandes procissões:
·         A solene procissão de entrada do presidente com seus ministros ( introduziu-se a oração da coleta)
·         A procissão levando ao altar o pão e o vinho (introduziu-se a oração sobre as oferendas)
·         A procissão em direção ao altar para receber a comunhão sob duas espécies. (introduziu-se a oração após a comunhão)
As orações introduzidas no final de cada uma das três procissões variam no decorrer do ano litúrgico. A proclamação do evangelho também foi ritualizada, reservada ao diácono e a procissão era acompanhada de luzes, incenso e aclamação do Aleluia. A oração eucarística é a única, com variadas orações do prefácio. Mais tarde foram acrescentados o glória e o cordeiro de Deus.
É importante ressaltarmos que as orações introduzidas na missa (coleta, prefácio, sobre as oferendas, após a comunhão) possuem uma forma literária elegante. São orações dirigidas ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo.
2.7 A passagem da liturgia romana para as Igrejas franco-germânicas
            A partir do séc. VII os ritos litúrgicos do ocidente e do oriente já haviam adquirido suas características fundamentais. Ao longo do séc. VIII e início do séc. IX acontece o fenômeno de imigração da liturgia romana para as terras franco-germânicas. Este fator será importante para compreendermos a cultura religiosa brasileira e latino-americana.
            Por ela, a liturgia romana foi adaptada à liturgia galicana para depois retornar à Roma como fundamento da liturgia romana da idade média. Tudo isso aconteceu pelo fato dos bispos e abades franco-germânicos terem simpatizado pelo ritual romano e terem demonstrado insatisfação com os ritos franco-germânicos. Ficaram admirados pela suntuosidade da liturgia, ao mesmo tempo simples e pelos textos litúrgicos romano.
            Dado o apreço, o imperador franco-germânico, Carlos Magno, com o intuito de uniformizar a liturgia em todo o império, pediu ao papa Adriano I uma cópia do sacramentário romano. Carlos Magno, ao instituir o rito percebeu que o mesmo estava incompleto, não havendo os vários formulários de missa e bênçãos, que o povo galicano prezava muito. A solução foi incorporar vários elementos próprios da liturgia galicana, tais como: benção do círio pascal, orações para ordenações, bênçãos, dedicações de Igrejas e exorcismos. Daí surgiu uma liturgia romana-franco germânica.
            A liturgia galicana se caracterizava pela dramaticidade das orações e das ações litúrgicas, caracterizada pelo pavor diante da divindade, uma forte consciência de pecado, um inquietante sentimento de culpa e um grande individualismo religioso.
            A missa passa a ser uma devoção privada do sacerdote e não mais comunitária. Começa-se a perder o caráter pascal da celebração cristã e passa-se para uma espiritualidade fortemente individualista. Dá-se mais importância aos aspectos sentimentais da meditação da paixão de Cristo do que o mistério da fé na ressurreição.
Em contrapartida, surge na liturgia franco-germânica o famoso hino Veni Creator Spiritus. E surgem nesse período, as magníficas Igrejas românicas na França, Alemanha e Espanha. Apesar de esta liturgia ser pouco eclesial-comunitária, mais tarde Roma a adotará como liturgia romana obrigatória para todas as liturgias do ocidente, tornando-se uma liturgia devocionista e individualista.

3 O mistério celebrado no segundo milênio da era cristã
3.1 A liturgia romana em nova fase ou a liturgia romana da idade média (Sec. X a XIV)
            A partir do final do séc. IX a liturgia romana inicia uma nova fase que durará por muitos séculos. A maior parte do segundo milênio é caracterizada por uma liturgia romana totalmente distanciada da tradição antiga. Roma adota a liturgia romano-franco-germânica[8]. A vida litúrgica e espiritual passa por uma terrível decadência. Os papas deste período foram considerados indignos de assumir o governo da Igreja católica. Tanto os papas como o clero manifestavam pouco interesse pela vida litúrgica da Igreja. É um fato assustador, pois Roma elaborou e viveu dos séculos IV a VIII uma liturgia bastante suntuosa.
            Os imperadores Otâo I e Otão II, em suas viagens a Roma, ficam horrorizados pelos caos religioso e cultual que proliferava na cidade eterna. Eles mesmos decidiram promover a vida litúrgica na cidade eterna, insistindo no uso dos livros litúrgicos romano-franco-germânicos trazidos da Alemanha. Estes livros foram adotados no norte dos Alpes alemães a partir do séc. VIII. Com a contribuição dos povos franco-germânicos, a vida litúrgica e espiritual em Roma assume um novo sentido.
            Superada esta decadência, os papas voltam a assumir com responsabilidade a liturgia romana, até então dominada pelos soberanos e bispos dos Alpes. O Papa Gregório VII (1073-1085) propõe uma ampla e profunda reforma na Igreja. Seu objetivo era recuperar as fontes antigas, zelar pela disciplina moralizando o clero e elevar a dignidade do sacerdócio. Neste sentido havia um interesse específico pela liturgia. Quem celebra a liturgia deve ter dignidade, respeito, coerência de vida e santidade. Como se vê, a moralização do clero gerou um monopólio clerical da liturgia. Começa-se aqui o individualismo religioso por parte dos padres. Gregório VII não recupera o caráter comunitário da liturgia romana clássica dos séc. IV a VIII.
            A reforma gregoriana não obteve sucesso pelo fato de ter ocorrido uma centralização romana. Em se tratando especificamente do culto, todas as Igrejas do Ocidente foram obrigadas a seguir o modelo de liturgia da cúria romana estabelecida pelo Papa Gregório VII, e que, no fundo, manteve a mesma estrutura da liturgia romano-franco-germânica.
            O Papa Inocêncio III (1198-1216) dedicou-se à reforma dos livros litúrgicos. Na liturgia romana clássica, como vimos, para cada ator da celebração havia um livro. Naquela época, a celebração litúrgica expressava o caráter bem comunitário. Com o tempo, a participação ativa dos fiéis diminuiu e tudo acabou sendo confiado ao sacerdote. Este se tornou o único ator da celebração e a assembléia se tornou meros espectadores.
            Para tornar mais prática a celebração, ao invés de usar os variados livros litúrgicos ao mesmo tempo (Sacramentário, Lecionário, Antifonário etc), tudo era reunido num único volume o qual chamamos de Missal. Nasce então o Missal, usado pelos sacerdotes quando celebravam missas sozinhos. Um livro que não contemplava a presença da assembléia. Este livro será imposto para todas as igrejas.
            Ocorreu o mesmo com o livro de oração eclesial. Por motivo de comodidade e para a oração privada, inclui-se num único livro contendo tudo o que é necessário para o ofício divino, chamado mais tarde de Breviário[9].

3.2 Algumas características da liturgia romana da Idade Média

           
Mesmo diante das reformas de Gregório VII e Inocêncio III, a liturgia continua distante do povo e cada vez mais clerical, ou seja, reservada ao sacerdote.
·         Enquanto o padre reza a missa no altar distante, o povo se entretém com as devoções particulares. A comunhão é substituída pela adoração da hóstia. Ver a hóstia de longe, adorando-a, tornou-se uma forma de comungar. Por isso que na consagração, os padres adotaram o costume de elevar a hóstia e mais tarde o cálice. Este era o ponto mais importante da missa. Era um momento importante para os fiéis. Para tal, introduziram o uso da campainha para chamar atenção do povo e enfatizar este momento.
·         A adoração eucarística substituiu o verdadeiro sentido da eucaristia vivido nas comunidades primitivas (assembléia, caridade, comunhão e sacrifício). Surge também no séc. XIII a festa de Corpus Christi[10], tornando-se a festa mais importante do ano litúrgico, estando acima da festa da Páscoa.
·         É muito forte o costume devocional das missas privadas pelos defuntos, em honra aos santos e por diferentes intenções particulares. Conseqüentemente cresce o número de padres ordenados somente para rezar missa (altaristas) e a dramatização dos gestos litúrgicos durante a missa[11] (sinal da cruz constante, genuflexões e movimentos de um lado para o outro). A liturgia era um teatro religioso medieval.
·         Os sacramentos perderam a sua originalidade, ou seja, como celebração do mistério pascal e passou a serem vistos como remédio que cura, purifica, previne e fortalece.

3.3 Reforma litúrgica do Concílio de Trento
            O Concílio[12], celebrado na cidade de Trento nos anos de 1545-1563, foi de grande importância para a vida da Igreja, pois o séc. XVI foi um período muito conturbado na Igreja. Em 1517 eclodiu-se a reforma protestante liderada por Martinho Lutero, rompendo-se com a Igreja e fundando a igreja luterana, e mais tarde, na Inglaterra, o rei Henrique VIII também rompe com Roma e funda o Anglicanismo. Um novo cisma abalou as estruturas internas e externas da Igreja Católica. Lutero questionava os abusos existentes dentro da Igreja, também no que diz respeito à liturgia. O Concílio de Trento promoveu algumas reformas litúrgicas importantes, porém parcial, pois não havia tempo para fazer a reforma completa da liturgia.
            Os reformadores reivindicavam uma renovação na Igreja, sobretudo na liturgia. Para eles havia uma falta de espírito evangélico e exigia o uso da língua de cada nação, a participação ativa de todos, a recitação das orações em voz alta, comunhão sob duas espécies, abolir o uso exclusivo de celebrações privadas. Estas práticas não foram assumidas por Trento e veremos que acontecerá somente com Vaticano II.
            O Concílio de Trento teve um caráter mais doutrinário do que pastoral, portanto, dos assuntos discutidos, afirmou-se o caráter sacrifical da missa e a presença real de Jesus na eucaristia. Por falta de tempo, o Concílio não aprofundou o aspecto litúrgico da Igreja, mas manteve a liturgia romana que perdurou por quatro séculos e confiou ao Papa a publicação dos livros litúrgicos[13], que passaram a ser de uso obrigatório para toda a Igreja, menos as dioceses e ordens religiosas com tradições próprias de mais de dois séculos.
            Em resposta à reforma protestante, surge um movimento cultural que expressava bem o espírito da contra-reforma. A este chamamos de barroco. Foi um período de superação das crises provocadas pelo protestantismo, onde a Igreja Católica se sentiu vitoriosa, segura e forte. A Igreja assume um caráter triunfalista acentuando a presença real de Cristo na eucaristia e insistindo cada vez mais na dignidade dos sacerdotes. Continua-se o modelo de separação entre o padre e o povo.
As celebrações são brilhantes, com caráter triunfalista, porém fora do verdadeiro espírito da liturgia. Nas igrejas os altares laterais se multiplicam, como também a imagem dos santos e de Maria. A homilia se torna sermão e era feita no púlpito. Os sacrários são luxuosos, se desenvolve a música sacra e a missa era apenas ouvida. A festa por excelência no período do barroco foi a de Corpus Christi com a solene procissão em honra ao rei eucarístico.
Sendo a missa animada pela orquestra e o coro em voz alta, a participação do povo foi quase zero. Muitos aproveitavam a ocasião para recitar o rosário e se entregar às suas devoções populares.
3.4 A Liturgia que o Brasil e a América Latina Herdaram
            O conhecimento da liturgia no período tridentino e pós-tridentino é importante para compreendermos as raízes históricas de nossa própria cultura religiosa brasileira e latino-americana. Queremos dar ênfase à liturgia que herdamos, sobretudo no período colonial, e “para algumas adaptações desta liturgia no nosso contexto social e religioso.
            A liturgia que herdamos foi a liturgia do período medieval e pós-tridentino, que os colonizadores e os missionários portugueses e espanhóis trouxeram para o continente latino americano a partir de 1492. Uma liturgia de índole romano-franco-germânica e de língua única e obrigatória (latim) para todos os povos do ocidente. Uma liturgia igual para todos, porém com o passar do tempo houve adaptações, o que hoje chamamos de inculturação.
            Ainda estava muito longe de ter uma liturgia, cuja finalidade seria a celebração do mistério pascal comunitariamente celebrado sob a presidência de seus pastores. Permanecia o ritual meio mágico celebrado pelo clero, distante do povo. Herdamos uma liturgia feita apenas para o clero, e o povo assistia passivamente as cerimônias feitas pelos padres lá no altar.
            A devoção popular tomou fôlego neste período. O povo se dedicava mais à devoção aos santos, novenas, reza do terço, etc. Os sacramentos eram vistos como remédio espiritual para curar os males e manter uma boa relação de amizade com Deus e não como a celebração do mistério pascal em nossa vida. Foi uma liturgia que predominava o individualismo religioso. Cada pessoa cuidava da sua vida espiritual sem nenhum compromisso eclesial e de transformação social, sem sentir-se irmão uns dos outros e membros do corpo místico de Cristo. Em síntese, não se contemplava o valor da assembléia.
            Esta é a liturgia católica que herdamos durante cinco séculos, o que formou neste continente uma cultura tipicamente religiosa. Por um lado, o catolicismo popular teve seus elementos positivos (solidariedade, hospitalidade, piedade, gosto pela festa, espírito jovial, etc) e negativos (superstição, idolatria do poder, falta de formação, sincretismo, redução da fé a um contrato com Deus, individualismo religioso, etc).
            A liturgia teve que se adaptar no contato com os povos desta terra (negros, índios, colonizadores e mestiços). Um exemplo é a tentativa de adaptação da celebração do batismo entre os índios do Brasil. Os missionários fizeram a tradução dos textos para a língua tupi.
            Uma das adaptações mais interessantes é a que aparece na organização do espaço das celebrações nas igrejas no Brasil. O espaço era dividido em seis recintos:
·         Recinto clerical: presbitério
·         Recinto central: reservado às mulheres
·         Recintos laterais: num plano mais elevado, reservado para os homens bons, livres e simbolizava a superioridade, tanto diante do clero quanto das mulheres.
·         O espaço em torno das portas: reservado aos negros e escravos
·         Um lugar de destaque entre a nave central e o presbitério era reservado para pessoas mais importantes.
·         O coro, sobre a porta da Igreja, era reservado para os cantores e a orquestra.
No Brasil colônia existia igrejas para os escravos e os negros e igrejas para os homens brancos, como é visível nas antigas cidades mineiras do Brasil colônia (Ouro Preto, Mariana, etc). As casas, normalmente tinham seus oratórios para a liturgia familiar. Eles se reuniam para rezar o terço e a oração da noite. O rezador geralmente era pessoa muito simples e mesmo se houvesse um padre, ele presidia as orações. As missas eram celebradas com grande pompa barroca adaptada ao ambiente social do Brasil colônia. No séc. XVI, os jesuítas permitiam o uso de instrumentos musicais indígenas nas celebrações. Era uma grande festa e faziam uso de recursos da liturgia barroca para atrair os índios: músicas, procissões, cruz alçada, paramentos, multicores, bandeiras, batinas, folhas de palmeiras a serem agitadas nas procissões, imagens teatros, dramatizações, etc.
São exemplos de adaptações da liturgia medieval e pós-tridentina no contexto do Brasil colônia. No seu espírito ela permanecia a mesma, ao passo que o essencial continuava em segundo plano.
3.5 O caminho da renovação: O movimento litúrgico
            No início do séc. XX inicia-se um grande movimento de renovação litúrgica na Igreja do ocidente. É o chamado movimento litúrgico, que teve a sua pré-história no período do iluminismo (séc. XVIII) e da restauração católica (séc. XIX).
            O movimento litúrgico aparece na Europa por volta do séc. XVIII com o intuito de se contrapor ao barroco: o iluminismo. Teve grande influência na liturgia. Desencadeou um processo contra a centralidade tridentina e a exagerada exteriorização barroca. Os católicos exigiam uma liturgia mais simples, que se adequasse à realidade do povo e fosse por eles compreendida. O problema é que os católicos viam a liturgia mais como função educadora do povo do que celebração do mistério de Cristo. O que comprometeu o trabalho de reforma. Em todo caso, este movimento se culminará com a reforma litúrgica do Vaticano II. E a partir daí compreenderemos que a liturgia é a fonte primordial da vida cristã.
            No Brasil, o movimento litúrgico surge em 1933 e teve como expoente o monge beneditino Martinho Micheler. Foi muito bem aceito nos movimentos de Ação Católica e divulgado em quase todo país, pois pregava o retorno às fontes. As propostas do movimento, às vezes não foram colocadas de modo feliz por seus divulgadores e acabou formando um antagonismo com os católicos tradicionais brasileiros. Por um lado os liturgistas e por outro os devocionistas. Os devocionistas eram mais reacionários e acusavam o movimento de tentar abolir as devoções populares (culto aos santos,bao papa, à Virgem Maria e ao Santíssimo Sacramento).
            Graças ao movimento litúrgico, o Concílio Vaticano II pôde concretizar a reforma litúrgica.
A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II
            O Vaticano II (1962-1965) foi um Concílio de cunho mais pastoral. Era urgente uma reforma no interior da Igreja e o beato Papa João XXII considerou como um “Novo Pentecostes para a Igreja”. O primeiro documento aprovado foi a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. No artigo 1°, o documento afirma que o Concílio deseja fomentar sempre mais a vida cristã dos fiéis e favorecer para que tudo se convirja para os que crêem em Cristo.
            Trata-se de um Concílio que vem de encontro com a realidade sócio cultural do séc. XX, dialogando com o homem moderno. A liturgia a partir do Vaticano II foi um verdadeiro retorno às fontes. Procurou adaptar-se à realidade cultural de cada nação. Um dos grandes méritos foi a missa celebrada de frente para o povo, tornando assim uma celebração comunitária em que o centro da celebração é o Cristo.

Texto elaborado pelo Cl. Geovani dos Santos Pereira


fonte: Orionitas

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Músicas para a Missa do Domingo de Ramos da Paixão - Ano A

II semana do Saltério
Jesus deu um forte grito e entregou o espírito.
cor vermelha

Procissão dos Ramos: Hosana hey! Hosana ha! (cd Canções para Orar 1)

Entrada: Hosana (Missão Mensagem Brasil -cd Pérolas em Canções - Clássicos de Todos os Tempos)

Ato Penitencial: Ó Senhor, Tende Piedade (Ministério Amor e Adoração -cd Celebração - Canções Litúrgicas)

Salmo Responsorial: Salmo 21(22) (Adrielle Lopes -cd Salmos - Vol. 1)

Aclamação à Paixão: Salve, ó Cristo obediente (cd Liturgia XIII - Quaresma Ano A)

Ofertório: Oferta de Amor (Ministério Koinonya de Louvor)

Santo: Santo (cd Canto Pastoral - Ordinário da Missa)

Aclamação Memorial: Eis o Mistério da Fé (cd Ordinário da Missa - Regional Sul II - CNBB)


Amém: Doxologia (cd Ordinário da Missa - Regional Sul II - CNBB)


Abraço da Paz: A Paz esteja contigo (Padre Zezinho -cd Missa Fazedores da Paz)


Cordeiro de Deus: Agnus Rei (Ministério Amor e Adoração -cd Celebração - Canções Litúrgicas)


Comunhão:
Eu quis comer esta ceia agora (cd Tríduo Pascal I)                   

Tudo passa pela Cruz (Olívia Ferreira -cd Tudo passa pela Cruz)


Final: Sou Filho de Deus (Padre Joãozinho -cd Sou feliz por ser Católico)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Desafios da música litúrgica no Brasil

Problemas que desafiam a música litúrgica no Brasil


O Estudo da CNBB 79 aponta alguns aspectos da música litúrgica no Brasil, que precisam ser melhorados:

1. Distanciamento entre músicos e comunidade - Observa-se, aqui e acolá, um recíproco distanciamento entre músicos dotados de uma arte musical mais elaborada e a experiência comunitária da fé. De um lado, nem sempre os músicos de mais aprimorada cultura musical se entrosam e se identificam com a experiência celebrativa das comunidades. Do outro, nem sempre as comunidades se preocupam em melhorar seu desempenho musical e beneficiar-se da colaboração de músicos competentes. Tanto as pessoas que se ocupam do canto nas comunidades precisariam ser incentivadas a aprimorar sua formação litúrgica e musical, quanto os músicos profissionais precisariam receber uma formação cristã e litúrgica (n° 23).

2. Participação unilateral – Ainda são freqüentes as celebrações em que alguém ou um grupo executa sozinho todos os cantos, não se importando com a participação do povo; assembléias que pecam pela passividade e desinteresse pelo canto; ou, ao contrário, celebrações em que a assembléia executa todos os cantos, sem valorizar outras possibilidades (solo, grupo, coro, forma litânica) (n° 24).

3. Música passatempo – A postura de alguns animadores e animadoras do canto nem sempre tem propiciado um clima de oração e de interiorização. Às vezes há mais “ruído” e distração do que contemplação, escuta e louvor. Outras vezes, a música é vista meramente como “passatempo”, para quebrar a monotonia de celebrações enfadonhas e rotineiras (n° 25).

4. Não observância de critérios fundamentais – Não são poucos os animadores ou animadoras de canto que, por falta de formação litúrgica, desconhecem os critérios de escolha dos cantos para uma celebração:

+ a funcionalidade de cada canto com relação aos vários momentos da celebração;

+ a hierarquia dos cantos:  uns elementares, e por isso mesmo mais importantes e necessários; outros acessórios e, conforme as oportunidades, dispensáveis;

+ a adequação dos cantos a cada tempo litúrgico, a cada festa, a cada tipo de celebração e a cada tipo de assembléia (n° 26).

5. Dicotomia entre canto e liturgia – Além disso, as missas dos chamados “meses temáticos”, ou missas temáticas, promovidas por grande número de folhetos litúrgicos, resultam numa total dicotomia entre o canto e a liturgia. Continua-se cantando “na” liturgia qualquer música religiosa, catequética ou de mensagem, em vez de cantar “a” liturgia. Este mesmo erro ocorre também quando alguns movimentos e/ou grupos propõem músicas que não estão de acordo com a ação ritual e os tempos litúrgicos (n° 27).

6. Som inadequado – Em nível de comunicação, existem alguns problemas que não favorecem a execução do canto: instalação ou regulagem inadequada do serviço de som, abuso do microfone (abafando a voz da assembléia, numa postura de “show”), abuso do volume dos instrumentos, bandas e grupos não integrados com a equipe de celebração, sem formação e sem motivação litúrgica (n° 28).

7. Instrumentos apenas para acompanhamento – Os instrumentos musicais, em geral, são usados só para acompanhar o canto, e não são valorizados para executar um prelúdio, um interlúdio ou um poslúdio, e assim propiciar clima de interiorização e maior proveito espiritual em determinados momentos da celebração (n° 29).

8. Demasiada mudança de repertório – A demasiada mudança de repertório, por conta de uma superficial mania de novidade ou concessão à onda de consumismo, faz com que o povo não aprenda bem nenhum canto, ficando impedido de participar dele com gosto e prazer, quando se sabe que a repetição, em matéria de canto, além de favorecer a memorização, é um fator de densidade emocional e simbólica (n° 30).

9. Pobreza rítmica – 31. O cantar das assembléias demonstra, não raro, grande pobreza rítmica e contrasta com a riqueza de ritmos da música brasileira. E nem poderia ser diferente, pois mesmo aqueles cantos que, por sua natureza, são portadores de ritmo bem marcante e característico, cantados sem o devido acompanhamento instrumental, terminam na vala comum da mesmice arrastada e entediante (n° 31).

10. Textos que deixam a desejar – Por outro lado, os textos de diversos cantos muito deixam a desejar: ora trazem discurso complicado e doutrinário, sem poesia e sem unção; ora são mero jogo de rima, vazio e artificial; ora contêm muito texto para pouca melodia, dificultando a execução; ora pecam pela métrica irregular dos versos e das estrofes; ora ainda falham por freqüentes desencontros entre os acentos das palavras e os acentos da melodia, chegando a deformar o real sentido das palavras; ora, finalmente, carregam refrãos bem mais extensos que as estrofes, numa desproporção que torna o canto pesado e de difícil assimilação da parte da assembléia (n° 32).

11. Adaptações pouco criteriosas – Continua ocorrendo, ainda hoje, a prática da lei do menor esforço ou falta de criatividade musical, ao utilizar-se músicas de sucesso, com textos adaptados para uso na celebração, sem maiores critérios (n° 33).

12. Deficiência na qualidade musical – Muitas missas, transmitidas pela televisão e pelo rádio, são pobres e não edificam os telespectadores e ouvintes, devido à deficiente qualidade musical, por conta de escolha não criteriosa dos cantos e a má qualidade na interpretação vocal e/ou instrumental (n° 34).

13. Presidentes de celebrações e a falta de canto - É lamentável que a maioria dos que presidem hoje as celebrações litúrgicas não canta aquelas partes que lhes são próprias (Orações, Prefácio, Narrativa da Instituição, Anamnese, Doxologia…), como propõe a tradição multissecular das Igrejas e oportunamente sugere o nosso Hinário Litúrgico (n° 35).

14. Descuido na formação religiosa e sacerdotal quanto ao canto – Uma das causas do descuido no canto litúrgico nas comunidades é o fato de, nas próprias casas de formação sacerdotal ou religiosa, não se cuidar devidamente da formação litúrgico-musical dos formandos, nem se proporcionar oportunidades de formação mais aprimorada aos que têm maior talento e pendor. Outras vezes, não há interesse da parte dos próprios formandos, por considerarem a música uma arte dispensável. Este desinteresse pode ser conseqüência da falta de vivência litúrgicomusical incluindo aqui, o canto gregoriano e a polifonia sacra (n° 36).

15. Suportar o canto ao invés de valorizar – Muitos dos que presidem a celebração apenas “suportam” o canto da assembléia, em vez de incentivá-lo e valorizá-lo, criando assim obstáculos ao povo, no exercício do direito e dever que tem7 de participar ativamente da celebração, mediante o canto.

16. Falta de preparo para a prática musical nas comunidades – Por toda a parte, faltam pessoas competentes, capazes de organizar e orientar a prática musical nas comunidades. Para garantir uma preparação adequada de pessoas dotadas, é urgente que as comunidades, paróquias e dioceses invistam na formação litúrgico-musical destes agentes (n° 38).

17. Pouco investimento em músicos – Muitas comunidades não têm manifestado interesse na aquisição de músicos competentes e de coros de boa qualidade. Isso ocorre, entre outras razões, pelo fato de não se remunerar devidamente o serviço dos músicos e de não se investir na sua formação litúrgico-musical. É sintomático que, nos conservatórios e nas faculdades de música, a grande maioria dos estudantes provém das Igrejas Evangélicas (n° 39).

18. Ensaios de canto ao invés de cursos – Embora os Cursos de Canto Pastoral e Litúrgico venham ajudando muito na aprendizagem de cantos, muitas vezes ainda falham por não valorizar os cantos propriamente litúrgicos, limitando-se ao mero ensaio, sem se preocupar o bastante com o embasamento litúrgico, teológico e espiritual (n° 40).

19. Cantos impróprios nas celebrações ocasionais - Continua problemático o canto entre os participantes de celebrações ocasionais, como bodas, casamentos, missa de 15 anos, missa de 7º dia, formatura etc., seja por falta de uma assembléia motivada, seja por falta de conhecimento de cantos adequados. Se, por uma parte, há cantos que têm o mérito de evidenciar o fato humano da união conjugal, do aniversário natalício ou da morte, por outra, são pobres ou carentes em celebrar a dimensão cristã e pascal desses eventos (n° 41).

20. Não distinção entre música sacra e música litúrgica - Há também coros polifônicos que não fazem distinção entre música sacra e música litúrgica, entoando cantos que não são próprios para a celebração (n° 42).

21. Substituições fáceis de textos litúrgicos – Sintomas preocupantes: celebrações promovidas por movimentos religiosos, congregando freqüentemente grande número de participantes, aqui e acolá, com ampla divulgação da mídia, pouco levam em conta os textos litúrgicos, substituindo-os facilmente por textos de grande pobreza existencial, poética e teológica. Descamba-se para desvios preocupantes, que podem desvirtuar a experiência espiritual da comunidade cristã de várias maneiras: (n° 43).

22. Priorização do dimensão pessoal sobre a comunitária da fé – seja pelo exagerado individualismo, intimista e sentimentalista, muito “eu” e muito “meu”, desvirtuando a dimensão comunitária da fé, numa busca de emoções que reduz a relação com Deus a mero jogo de sentimentos, sem a profundidade e a amplitude do compromisso cristão, sem a seriedade da fé como entrega confiante à vontade do Pai, em comunhão com os irmãos e irmãs, para a realização do seu Reino aqui e agora. Quão distantes estamos de textos como os três Cânticos Evangélicos registrados nos dois primeiros capítulos do Evangelho de Lucas, que bem poderiam servir de referência para todos os autores e ministros musicais: cantos nos quais o que sobressai é a dimensão coletiva da fé, que celebra a ação libertadora de Deus em favor de todo o povo; cantos em que o “eu” ou o “meu”, quando aparecem, chegam explicitamente carregados das esperanças de todo o povo, num forte sentimento de solidariedade com os oprimidos e excluídos da terra!; (n° 44).

23. Ênfase na militância – seja pelo exagerado militantismo: cantos que pregam com insistência a luta pela justiça social, pela superação dos problemas ecológicos e econômicos, mas que, nesta pretensão de promover o engajamento sociopolítico dos cristãos, empobrecem a sua experiência espiritual, ao não cultivar suficientemente as razões da Fé, a referência essencial a Jesus Cristo, a dimensão poética e orante do canto litúrgico. Os Salmos do Antigo Testamento e os muitos hinos que aparecem nos textos do Novo Testamento, bem como a longa tradição da Igreja, devem ser sempre ponto de referência para o canto de hoje também (n° 45).

O próprio documento da CNBB (n° 46), também convida cada um a se posicionar:

1. Por onde você tem passado, tem percebido alguma dessas falhas, dessas mazelas, desses problemas?

2. Revendo, com serenidade, sua própria atuação no campo da música litúrgica, reconhece alguma destas marcas negativas?

3. De tudo isso, quais os problemas que mais o desafiam, e qual poderia ser sua contribuição pessoal para que a Igreja local, onde você exerce o seu ministério musical, vá encontrando soluções eficazes?

Um desafio a cada um para que as assembléias litúrgicas sejam, de fato, celebrantes!

fonte: Mérito Católico - Meritocat