A formação do músico católico é fundamental e a pedra principal é sua obediência e concordância litúrgica.
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sábado, 1 de novembro de 2014

MÚSICA: A VOZ DO BOM PASTOR


O sentido original da música tem se perdido com o passar do tempo. Costumamos, muitas vezes, associá-la simplesmente a um desenvolvimento cultural ou a uma forma de criação relacionada à combinação de sons. No entanto, ela ocupa um espaço bem maior do que pensamos na vida do homem. A música, como as demais formas de expressão artística, é uma ponte que eleva o espírito, liga a dimensão humana à espiritual, e partindo desse “laço espiritual” podemos refletir melhor sobre sua participação na comunicação da alma humana com o Espírito de Deus.

Atualmente, sofremos de uma certa “miopia” a respeito da musicalidade do homem, que nos faz esquecer da voz interior que alimenta o poder da música que brota no coração. É triste saber que, em muitos lugares, ainda se insiste em fazer as canções saírem “da boca para fora”. Nossa evangelização através da música será ineficaz se, tirando os olhos do essencial, cairmos no acidental.

A música é capaz de comunicar a vida de Deus, a única que pode gerar uma vida nova na humanidade.

Ela tem um grande poder de comoção e conversão, que atrai o homem a Deus, que conforta e cura suas feridas. São muitos os testemunhos de pessoas que, através de canções cristãs, renderam-se ao Amor de Deus e hoje estão dispostas “a dar a vida por este Amor” (RVS). A música desperta sinceros desejos de mudança. Ao tornar nossa música acessível ao homem atual, sedento de esperança e de fé, temos a chance de mostrar-lhe que é possível encontrar “uma vida de verdade”.

Nosso papel como “músicos evangelizadores”, e antes de tudo como batizados, é o de anunciar o Bem da Palavra de Deus: Deus, que se manifesta ao mundo como Verdade, Bondade e – como diria o Papa João Paulo II – hoje, ao homem moderno, sobretudo como Beleza. Essa Palavra não apenas tem a função de se comunicar com o coração do homem, mas também a de atingi-lo e transformá-lo.

O Evangelho precisa ser anunciado com poder, e cantar a Palavra de Deus é uma maneira eficaz de realizar esse anúncio. Mas para que isso aconteça, o timbre da nossa voz precisa estar configurado ao do Bom Pastor, para que, escutando a nossa voz, as pessoas reconheçam nela a voz de Deus e sigam-nos, certos de que caminhamos para Ele.

É fundamental que aqueles que ministram a Paz de Cristo através da música estejam antes cheios dessa paz. Para cantar é preciso escutar. De fato, a música eleva o coração humano e leva-o a orar. É ouvindo e imitando, todos os dias, a voz de Jesus que se revela pela oração, que teremos a “voz do Pastor”, mesmo que essa voz se revele silenciosamente. Se tentarmos evangelizar com a estranha voz do mercenário, o povo de Deus fugirá de nós, e nunca seremos canais do Amor que, a todos, quer conquistar (cf. Jo 10,5). Se as pessoas não reconhecerem a voz de Deus na nossa, não estaremos anunciando a “Boa Nova”, mas apenas combinando fenômenos acústicos.

A nascente do canto deve ser a alma, pois é lá que Deus habita. Os homens precisam ser alimentados com a voz de Deus, e não com a voz do nosso orgulho. Nossa missão é a de arrastar as pessoas para o céu, e nunca as distanciar dele.

Precisamos orar para que a nossa voz se encha do poder, da unção e da autoridade da voz do Pastor. Nunca a nossa profissionalização conseguirá, sozinha, atingir a dor humana. Se não estivermos firmados numa vida de oração, as pessoas continuarão a carecer do essencial: o toque de Deus no âmago do ser. O toque que ultrapassa uma experiência superficial ou simplesmente afetiva.

Ao escutar, pela música, a voz de Deus, os homens terão sua inteligência iluminada e a vontade pronta a se mover segundo a condução divina. Essa é a maneira de tornar audível o Amor de Deus, de levar seus filhos ao centro da sua pedagogia. O que Deus quer mesmo é nos educar, embalando-nos com a música que se forma com as batidas do seu coração amoroso. Abraçando esta graça, nosso canto abraçará as feridas de muitos, e Deus as curará.

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