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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"EVANGELHOS APÓCRIFOS?"

Algumas revistas têm causado, ao longo dos anos, muito desconcerto entre os fiéis ao publicarem seguidas reportagens sobre os assim chamados “evangelhos apócrifos”. As dúvidas aumentam ainda mais quando tais revistas procuram teólogos ditos “católicos” que, abjurando do seu compromisso de ensinar a sã doutrina, preferem, movidos pelas suas ideologias, falar contra o que ensina a Igreja, dizendo que teríamos uma assim chamada “Bíblia Apócrifa”, paralela à “Bíblia Canônica”, ou seja, aquela que nos foi consignada pela Igreja. Em virtude dessa disseminação de erros tão prejudicial à vida dos fiéis e que pode levá-los a suspeitar daquilo o que é retamente ensinado pela Igreja, é que se faz necessário esclarecer a todos sobre o que são, na verdade, os chamados “evangelhos apócrifos”.

O termo “apócrifo”

O termo “apócrifo” deriva do grego apókryphon (oculto). Assim eram conhecidos os livros que não eram lidos nas assembleias cristãs públicas, embora tivessem a aparência de livros canônicos, isto é, de livros realmente inspirados por Deus, porque tratavam dos mesmos temas ou traziam histórias referentes aos mesmos personagens citados nos livros do Antigo e do Novo Testamento.

Apócrifos do Antigo e do Novo Testamento

Existem livros “apócrifos” tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Os livros “apócrifos” do Novo Testamento são todos tardios, tendo sido escritos entre o final do século 2 e o século 6 d.C.

Não existem só “evangelhos apócrifos”, existem também outros textos apócrifos relacionados ao Novo Testamento, como o chamado Apocalipse de Pedro e as Epístolas apócrifas de Paulo.

Com relação aos ditos “evangelhos apócrifos” temos cerca de dez textos que chegaram até nós. Eis os títulos e as datas de tais textos: “Evangelho de Pedro” (90-150 d.C.), “Protoevangelho de Tiago” (séc. 2 d.C.), “Epístola dos Apóstolos” (séc. 2 d.C.), “Evangelho de Tomé” (séc. 3 d.C.), “Evangelho copta de Tomé” (séc. 3 d.C.), “Evangelho árabe da infância” (sécs. 5 - 6 d.C.), “História de José carpinteiro” (séc. 4 d.C.), “Memórias de Nicodemos” (séc. 1 - 2 d.C.), “Evangelho de Bartolomeu” (sécs. 3 - 4 d.C.), “Transição de Maria” (séc. 2 - 5 d.C.).

O que diz a Igreja?

A Igreja não reconheceu esses textos como “canônicos”, ou seja, como “inspirados”, em primeiro lugar porque eles não serviram como norma de fé e de vida para os fiéis, uma vez que, como dito acima, não eram textos lidos nas assembleias cristãs, mas sim textos surgidos em ambientes estranhos ao verdadeiro cristianismo, como as chamadas seitas gnósticas, que misturavam elementos cristãos com elementos do paganismo.

Em segundo lugar, a Igreja não os reconheceu como textos inspirados, porque não percebeu neles um eco da pregação dos apóstolos, como acontece com os evangelhos canônicos.

Aqui é importante nos lembrarmos que a Bíblia não caiu do céu pronta, mas ela se formou aos poucos e foi sendo acolhida nos diversos textos que a compõem pela Tradição, que reconheceu nesses textos a autêntica Palavra de Deus que devia ser transmitida aos homens.

Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João foram reconhecidos desde os primeiros tempos do cristianismo como autênticos testemunhos da vida e da pregação de Jesus. A lista de livros inspirados mais antiga que temos, o chamado “Cânon de Muratori”, um pergaminho descoberto em 1740 por Ludovico Muratori na Biblioteca Ambrosiana de Milão e datado de aproximadamente 200 d.C. traz os nomes dos evangelhos de Lucas e João e, provavelmente, também trazia os nomes dos evangelhos de Mateus e Marcos, mas infelizmente seu início foi corrompido. Isso nos mostra como, desde o início, os evangelhos reconhecidos como autênticos foram os quatro evangelhos que nós temos em nossa Bíblia.

Elementos apócrifos na tradição cristã

Alguns elementos dos evangelhos apócrifos foram assumidos pelo cristianismo, mas são elementos periféricos e não essenciais à fé, como por exemplo os nomes dos pais de Nossa Senhora, Joaquim e Ana, que conhecemos pelo texto do evangelho apócrifo de Tiago, e o nome dos ladrões que estavam ao lado de Jesus na crucifixão, Gesta e Dimas, que conhecemos pelo evangelho apócrifo de Nicodemos.

O fato de esses elementos terem entrado para a tradição cristã não significa que a Igreja reconheça a autenticidade ou dê valor histórico ao que dizem os evangelhos apócrifos. Como esses elementos não são essenciais à fé é possível que nisso os evangelhos apócrifos sirvam de fonte histórica, mas não no seu conjunto, porque nos apresentam um Jesus muito diferente daquele que nos é apresentado pelos evangelhos autenticamente inspirados por Deus.

O fundamento da nossa fé

Isto posto, deve ficar claro para nós que a nossa fé não pode se basear no que uma ou outra revista, mais ou menos sensacionalista, diz sobre os evangelhos apócrifos ou sobre qualquer outro aspecto da Palavra de Deus.

Também deve ficar claro que a nossa fé não está baseada no que diz este ou aquele teólogo, por mais eminente que pareça. Nossa fé está baseada num tripé: Sagrada Escritura, Sagrada Tradição, Sagrado Magistério. O Magistério, isto é, o Papa reunido com os bispos em comunhão com ele, nos transmite o conteúdo sagrado da Tradição, daquilo o que os apóstolos receberam de Jesus e nos transmitiram, quer oralmente, quer por escrito, inclusive o conteúdo das Escrituras e o seu cânon.

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