A formação do músico católico é fundamental e a pedra principal é sua obediência e concordância litúrgica.
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sexta-feira, 17 de julho de 2015

CANTAI AO SENHOR UM CÂNTICO NOVO

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

Muito podemos aprender com Neemias, copeiro de Artaxerxes (464-424 a.C.). Certa vez, enquanto servia o jantar a esse rei persa, teve a oportunidade de lhe dizer que estava muito infeliz por causa da decadência de Jerusalém, cidade de seus antepassados. O rei lhe deu, então, o apoio necessário para a reconstrução da cidade. Reconstruídos os muros de Jerusalém, Neemias ficou particularmente feliz quando viu o seu povo reunido na praça para ouvir a Palavra de Deus. Um sacerdote, Esdras, buscou o Livro da Lei e recordou a todos o que o Senhor havia prescrito a Israel. À medida que Esdras ia lendo, aumentava a emoção “de homens, mulheres e de todos quantos eram capazes de compreender”; ficaram a escutá-lo, atentamente, “desde a manhã cedo até o meio dia” (Ne 8,3). Da emoção por ouvir as palavras do Senhor ao choro, foi um passo. Neemias, Esdras e os sacerdotes presentes procuraram, no entanto, insistir: “Nada de tristeza e choro!... Não estejais tristes, pois a alegria do Senhor é a vossa defesa... O dia de hoje é sagrado!” (Ne 8, 9-12). O povo passou, então, a extravasar a sua alegria: “É que haviam compreendido as palavras que lhes tinham sido comunicadas” (v. 12). 

Essa mesma alegria a Igreja é chamada a despertar hoje em seus fiéis – alegria que nasce da certeza de que Deus nos ama, se comunica conosco e nos dirige uma palavra que transmite vida, e vida em abundância.  Nossa oração é uma resposta ao que o Senhor nos fala. Se lhe agradam nossas respostas, mesmo que simples, quanto não lhe agradarão aquelas orações que foram inspiradas pelo Espírito Santo? Penso, por exemplo, nos Salmos.
Os 150 Salmos manifestam, em linguagem poética, os mais diversos sentimentos do ser humano: alegria e tristeza, dor e esperança, desânimo e confiança. A palavra "salmo" quer dizer “oração cantada e acompanhada de instrumentos musicais”; tais orações foram elaboradas, de forma espontânea, num período de, aproximadamente, 600 anos (séc. X a IV a.C.). Antes de serem reunidas numa coleção única (talvez pelo século III), foram rezadas para expressar experiências particulares de uma pessoa ou de um povo. Percebeu-se, aos poucos, que eles  sintetizam a experiência do homem universal –  daí sua atualidade.
Não se sabe quem os escreveu, já que nasceram no meio do povo e sofreram modificações com o passar dos séculos. Naquele tempo era comum atribuir a autoria de um trabalho a uma pessoa muito conhecida. Dessa forma, assim como Moisés era padroeiro da Lei, e Salomão, da Sabedoria, Davi, músico e homem de oração, passou a ser considerado como autor dos Salmos. O que se sabe é que esses poemas líricos eram muito populares, rezados por todos, especialmente pelos pobres, pelos perseguidos e explorados – isto é, pelos que sentiam necessidade de se colocar nas mãos de Deus.
É importante que os salmos façam parte de nossa vida. Eles nos ensinam a rezar a partir do que acontece cada dia; eles nos ajudam a conhecer os planos de Deus para o nosso tempo; nos motivam a multiplicar gestos de partilha.         
 Entre os 150 salmos, não será difícil cada um encontrar aquele que resume os seus sentimentos em cada situação concreta. Indo além de algumas expressões próprias da época em que foram escritos, de sua linguagem e de certos detalhes que nos ajudam a conhecer o ambiente em que nasceram, é importante saber encontrar neles a sabedoria daquele que os inspirou. Aí, crescerá em nosso coração o desejo de cantar ao Senhor um cântico novo, marcado pela confiança: “O Senhor é meu pastor: nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar, conduz-me até as fontes tranquilas e reanima minha vida (Sl 23/22, 1-3a). 
Fonte: CNBB

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