A formação do músico católico é fundamental e a pedra principal é sua obediência e concordância litúrgica.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Homilética: II domingo da quaresma

Comentário sobre a liturgia do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de são Paulo (Brasil)

Ciclo C
Textos: Gn 15, 5-12. 17-18; Flp 3, 17 4,1: Lc 9, 28b-36
Ideia principal: Subamos a colina do Tabor.
Síntese da mensagem: Depois de ter lido e meditado no domingo passado a luta contra as tentações e o mal, hoje com a passagem da transfiguração temos assegurado que a vida cristã termina com a vitória e a glorificação, se lutarmos com e do lado de Cristo. Reflitamos na colina do Tabor. Sabemos que Ocidente repousa sobre três colinas: a Acrópoles, o Capitólio e o Gólgota. A Acrópoles está em Atenas e Atenas deu ao mundo o homem livre e pensador. O Capitólio está em Roma e Roma nos deu o homem do direito e do império. O Gólgota está em Jerusalém, que deu a síntese dos homens ateniense e romano: o homem livre, não “de” mas “para”, o mandamento, a Igreja ecumênica e os destinos eternos. Portanto, Ocidente descansa, culturalmente, sobre estas colinas: liberdade, direito e religião.
Pontos da ideia principal:
Em primeiro lugar, tem uma quarta colina, que se levanta do chão apenas uns 588 metros, mas gloriosa pela glória do Filho de Deus que brilho no seu topo, que transtorna o sentido e transfigura a visão de Atenas, de Roma e de Jerusalém. E essa colina é o Tabor. E um dia Jesus deixou no pé da montanha os apóstolos e, com Pedro, João e Tiago, subiu ao seu cume, no momento em que descia uma nuvem branca, redonda e luminosa, que a cobriu. Na nuvem vinha Deus e, com Ele, os homens de grande expoente na história de Israel, Moisés, legislador de Deus e libertador do seu povo Israel. E Elias, vidente de Israel e defensor da religião de Javé. Vinham para celebrar com Jesus, e nunca melhor dito, uma reunião de topo. Nesse topo Jesus autorizou por única vez, e que não serviu de precedente, que a divindade saísse pelos poros do corpo e o convertesse, pela luz da sua glória, em homem de alabastro luminoso na altura da colina e da noite. Falou então o seu Pai e fez a revelação mais transcendental da história: “Este é o meu Filho, o predileto, escutai-o”.
Em segundo lugar, por que não subimos também nós nessa colina do Tabor? Atrevo-me a gritar desde aqui: “Homens e mulheres livres de Jesus Cristo, os que viveis instalados na montanha mágica do bem-estar material, os satisfeitos com a vossa transfiguração econômica, rejeitai, por favor, a saída de tom burguês de São Pedro e hoje comum a tantos: “Que bem se está aqui…!”. Pedro não sabia o que dizia, esse coitado. Olhai para baixo, onde vivem mal os desgraçados do vale e os proletariados da vida- que tanto nos recorda e nos recorda até à saciedade o Papa Francisco-: os que carecem das primárias e urgentes liberdades de um trabalho, um salário, um seguro, uma pensão, um prestígio, um saber, um futuro pessoal e familiar. Estas são as urgências de um filho da liberdade, de um filho de homem, de um filho de Deus. A estes, escutai-os!”.
Finalmente, e continuo gritando desde o cume plano do Tabor, cuja glória muda totalmente a visão do Capitólio de Roma e o sentido do homem do direito imperial:“Homens e mulheres com os direitos humanos de Jesus Cristo, os que viveis instalados na montanha fastuosa do poder (político, religioso, econômico, social, cultural), satisfeitos com a vossa própria transfiguração social, rejeitai, por favor, a ideia classista de São Pedro: “Façamos aqui três chalés residenciais…”. Para quem? E para os outros, que? Pedro não sabia o que dizia. Olhem para baixo, onde pululam como formigueiro os párias das terras. Os explorados pelo ditador político, cultural, sindical, fiscal. Ou pelo negreiro das terras, Fazenda estatal, sindicato político, empresário ou trabalhador. Mais os marginalizados sem título de um prestígio na parede, sem um livro na cabeça nem no coração a esperança de um dia levantar a cabeça. A este, temos que escutar”. E se me permitirem, continuo gritando hoje assim: “Homens e mulheres de Jesus Cristo, os que viveis instalados na montanha mística dessa religiosidade, os satisfeitos da vossa transfiguração espiritual, rejeitai, por favor, o desproposito pietista de São Pedro: “Que bem…! Façamos três chalés residenciais”. A desfrutar da glória, não é mesmo? E dos outros, os que se afastaram de Deus, prescindiram da redenção, os de costas à Igreja, os matrimônios fracassados e em outras uniões, os jovens que não pisam a Igreja… que?”.
Para refletir: Prefiro esse quietismo cômodo e egoísta de São Pedro, quando sei que só 1 de cada 4 ouviu falar de Cristo, e de 10, só 2 se aproximam da Igreja? Sou dos que beijam Deus na Igreja e fora dela o jogam na esquina, ou seja, deixam de lado o homem pobre, necessitado, agnóstico, indiferente ou de outra cultura? Não são estes os filhos prediletos de Deus, a carne de Cristo, como nos diz o Papa Francisco?
Para rezar: Senhor, dai-me forças para subir a colina do Tabor. Dai-me olhos para ver a vossa glória e formosura, e desde ali ver as necessidades dos meus irmãos. Dai-me coração para sentir a vossa beleza e me comover diante do meu irmão pobre, que vos representa. Dai-me ouvidos para escutar a voz do vosso Pai e a voz dos meus irmãos excluídos. Dai-me pés para descer dessa colina rapidamente e ir e buscar esses irmãos e levá-los a essa colina do Tabor para que também eles façam a experiência de Vós e do vosso amor. E transfigurem a sua dor em gozo.
Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

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